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Entenda como resort afastou ministro do STF de caso Master – 13/02/2026 – Economia

by Silas Câmara

A retirada da relatoria do caso Master das mãos do ministro Dias Toffoli no STF (Supremo Tribunal Federal) teve como um dos pivôs o resort de luxo Tayayá. Foi no espaço localizado em Rio Claro (PR) que o magistrado dividiu, por meio de sua empresa familiar, sociedade com um fundo de investimentos ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Como mostrou a Folha no mês passado, o resort localizado em Rio Claro (PR) era a parte visível de uma parceria que teve início em setembro 2021, quando a Maridt Participações S.A., empresa do ministro com os irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, vendeu metade de sua participação no empreendimento ao fundo de investimentos Arleen por pouco mais de R$ 3 milhões.

O Arleen integra uma extensa cadeia de fundos apontados pelas autoridades como pertencentes à engenharia financeira de Vorcaro e seus sócios. O controlador do fundo é o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, segundo o jornal O Estado de S.Paulo.

A Maridt deixou a sociedade nas empresas que compõem o grupo Tayayá em fevereiro do ano passado, quando o restante de sua participação foi adquirida pelo empresário Paulo Humberto Barbosa.

Os irmãos José Eugênio, que é engenheiro, e José Carlos, que atua como padre, levam uma vida sem luxos em Marília (SP), como mostrou a Folha. A Maridt é uma empresa de capital social de R$ 150 e tem ainda um dos filhos de José Eugênio na diretoria.

O RESORT TAYAYÁ

Situado às margens da represa de Chavantes, no Paraná, o resort Tayayá oferece piscinas aquecidas, passeios de caiaques, quadras de beach tenis e até cassino. Para se hospedar no local, em Ribeirão Claro, é preciso ser cotista ou procurar algum apartamento vago, com diária a partir de R$ 1.200.

O empreendimento funciona em modelo de multipropriedade. Cada unidade possui cotistas que revezam a permanência no imóvel.

A unidade mais barata é a Aqua Luxo, um apartamento no prédio principal do resort cuja cota custa R$ 154,7 mil. Cada sócio tem direito a levar até quatro pessoas para a unidade quando se hospedar.

As mais caras são as casas do Ecoview, uma vila com 18 unidades onde o ministro Dias Toffoli se hospeda quando vai ao resort. Cada residência tem 13 cotistas, que desembolsaram mais de R$ 750 mil cada um para se tornar donos da propriedade.

As casas do Ecoview possuem três suítes, cozinha, sala e varanda com piscina. A maior parte das residências possuem vista para a represa.

O resort foi lançado em 2008 e nasceu do bloco fundador do grupo Tayayá, do qual o primo dos Toffoli, o empresário Mario Umberto Degani, era um dos sócios. Ele deixou a sociedade entre julho e setembro de 2025 por um total de R$ 12 milhões.

A REVELAÇÃO DE TOFFOLI

O ministro Dias Toffoli, que até então aparecia na história somente como um cliente antigo do Tayayá, confirmou nesta quinta (12) que é sócio da Maridt. Como a companhia é uma sociedade fechada, os irmãos não são obrigados a divulgar toda a relação de sócios nem o tamanho da participação de cada um no negócio.

Toffoli argumentou que, como sua empresa já havia deixado a sociedade no resort meses antes de estourar o caso da compra do Master pelo BRB e de ser designado relator no STF, não havia impedimentos para conduzir as investigações.

Pela Lei Orgânica da Magistratura, um juiz pode integrar o quadro societário de empresas e receber dividendos, desde que não atue na gestão e administração da companhia.

O ministro também afirmou que desconhece o gestor do fundo Arleen, que jamais teve qualquer relação de amizade com Daniel Vorcaro e que nunca recebeu qualquer valor do ex-banqueiro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.

No fim do dia, após um reunião com todos os ministros do STF, Toffoli deixou a relatoria do caso. Não foi apontada suspeição do ministro como relator, ponto que poderia invalidar todas as ações tomadas no caso desde dezembro, quando assumiu a função no Supremo.

COMO TOFFOLI DEIXOU O CASO

Mesmo com a pressão externa nas semanas seguintes à descoberta da relação entre a empresa dos Toffolis e o fundo Arleen, o ministro do STF seguiu na condução do processo.

A situação mudou nesta semana, quando o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, um relatório com informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro contendo menções ao ministro Dias Toffoli.

No documento constam mensagens trocadas entre Vorcaro e Zettel discutindo pagamentos para a Maridt pelas compras da fatia no Tayayá.

Há também mensagens entre Toffoli e Vorcaro. Os dois, segundo uma pessoa que teve acesso ao relatório, não tratam de negócios nem de recursos nas conversas. Apenas combinam de se encontrar.

As mensagens mostram referências a festas e confraternizações para as quais outras autoridades, que não são do STF, foram convidadas.

A PF apontou suspeição do ministro. Questionado por Fachin, Toffoli respondeu que não havia motivos para isso e sustentou que as descobertas contidas no relatório da PF eram “ilações”.

Com a resposta, Fachin enviou o caso para a PGR, único órgão que pode pedir a suspeição de um juiz da Suprema Corte.

A atuação da PF gerou críticas internas dentro do STF, com ministros afirmando que a investigação foi feita sem autorização do Supremo.

A DECISÃO DO STF

Após uma reunião de portas fechadas, os ministros do STF concordaram em retirar Toffoli da relatoria do caso Master na Corte. Eles decidiram também que não seria dado cabimento para a arguição de suspeição e declararam apoio pessoal a Dias Toffoli.

Para os dez magistrados que assinam a nota, Toffoli atendeu a todos os pedidos formulados pela PF e pela PGR (Procuradoria-Geral da República) no caso.

O novo relator do caso será o ministro André Mendonça.

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