A Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados) anunciou neste domingo (1°) que aumentará a produção de petróleo em 206 mil barris por dia (bpd) em abril, ligeiramente acima das expectativas, enquanto o grupo de países produtores de petróleo liderado pela Arábia Saudita busca acalmar os mercados de petróleo bruto em meio ao conflito no Oriente Médio.
O aumento é menor do que alguns analistas e observadores da Opep+ haviam especulado, com muitos países já próximos dos limites de sua produção. “A capacidade ociosa deve ser gerenciada com cautela”, afirmou Amena Bakr, analista da empresa de dados Kpler.
Analistas afirmam que aumento da Opep+ dificilmente acalmará os mercados, que estão preocupados após os ataques entre EUA, Israel e Irã, que resultou na morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, nesse sábado (28).
O mercado de petróleo está fechado desde a noite de sexta-feira (27) e retomará às 20h (horário de Brasília) deste domingo. Analistas especulam que pode haver um salto acentuado nos preços dada a contínua incerteza no Oriente Médio.
Na sexta-feira, o preço do barril Brent, referência mundial, fechou a US$ 72,48 (R$ 372,04), enquanto o WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava a US$ 67,02 (R$ 344,01).
Os traders estão tentando avaliar quanto petróleo e gás conseguirá passar pelo estreito de Hormuz, a estreita via marítima na entrada do Golfo Arábico, nos próximos dias. Pelo local passa cerca de 20% do transporte do petróleo produzido em todo o mundo.
“Barris de reserva servem de pouco se não houver rotas marítimas operacionais”, comentou Helima Croft, analista do RBC Capital, em nota aos clientes.
“Essa medida dificilmente acalmará os mercados. Os preços responderão aos desdobramentos no Golfo e à situação dos fluxos de navegação, não a um aumento relativamente pequeno na produção”, disse Jorge Leon, analista da Rystad.
“Você pode anunciar uma produção maior, mas se os navios-tanque enfrentarem restrições em Hormuz, o mercado físico permanece apertado”, apontou.