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Dólar e Bolsa hoje (2); acompanhe as cotações – 02/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

O dólar abriu em alta nesta segunda-feira (2) na primeira sessão após os ataques dos EUA e de Israel ao Irã, seguido da retaliação iraniana, que atingiu outros países do Oriente Médio.

Os bombardeiros mataram o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o ex-presidente do país Mahmoud Ahmadinejad no último sábado (28), além de deixarem centenas de mortos em outros pontos do país. Em resposta, o regime islâmico atacou portos, bases dos EUA e outros locais nos Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Omã e Kuwait. O Hezbollah entrou no conflito e os israelenses bombardearam o Líbano.

Em virtude do confronto, o preço do petróleo disparou nesta segunda-feira e chegou a saltar mais de 13%, atingindo seu maior nível desde 22 de junho de 2025, quando houve o ápice de um outro confronto entre EUA e Israel contra o Irã.

Às 9h05, a moeda norte-americana subia 0,44%, cotada a R$ 5,1577, refletindo o que ocorria em outros países. Na sexta-feira (27), o dólar fechou em queda de 0,1%, a R$ 5,133, e a Bolsa perdeu 1,16%, a 188.786 pontos.

O dia foi de volatilidade para a moeda norte-americana por causa da formação da Ptax de fim de mês. Na máxima da sessão, chegou a R$ 5,170; na mínima, a R$ 5,123.

Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a taxa serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

O noticiário envolvendo dados de inflação do Brasil acima do esperado também afetou as negociações, com a Bolsa firmando queda já nos primeiros minutos de pregão.

Pressionada por mensalidades escolares e passagens aéreas, a inflação medida pelo IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15) subiu 0,84% em fevereiro, segundo divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A expectativa era de alta de 0,57%.

O dado mostrou uma aceleração em relação aos 0,2% registrados em janeiro. No intervalo de previsões, o índice também superou a maior das estimativas, que era de 0,65%, segundo a agência Bloomberg.

No acumulado de 12 meses, o movimento foi diferente. O índice desacelerou a 4,1%, após marcar 4,5% até janeiro. A perda de força no acumulado está associada ao fato de que o IPCA-15 havia subido ainda mais em fevereiro do ano passado (1,23%).

Agora, essa variação mensal deixa o cálculo de 12 meses, sendo substituída por uma menor (0,84%).

O dado foi digerido pelos operadores à luz das decisões do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) sobre a taxa Selic, hoje em 15% ao ano. O colegiado baliza o patamar dos juros a partir dos números de inflação e já sinalizou um corte no próximo encontro, neste mês de março.

Até então, a maioria dos agentes apostava que a redução seria de 0,5 ponto percentual. O IPCA-15, porém, causou impacto no mercado de renda fixa, com as taxas de DI (depósitos interfinanceiros) disparando conforme investidores reduziam apostas de um corte dessa magnitude.

Na análise de André Valério, economista sênior do Inter, a leitura do IPCA-15 é de viés negativo, “quantitativa e qualitativamente”, mas foi bastante influenciada pela sazonalidade.

“De toda forma, o processo de desinflação persiste, com o IPCA-15 de hoje bem abaixo do de fevereiro do ano passado e abaixo da média para um mês de fevereiro, o que sugere a continuidade da desinflação, apesar da volatilidade causada pela sazonalidade”, afirma, acrescentando que não espera que o resultado influecie significativamente na próxima decisão do Copom.

“Esperamos que o comitê corte a Selic em 0,50 ponto na próxima reunião, mas mantendo um discurso relativamente cauteloso. Por outro lado, a manutenção do real apreciado, na faixa dos R$ 5,15, trará tranquilidade adicional para o comitê iniciar o ciclo de ajustes.”

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos —cuja taxa hoje está na faixa de 3,5% e 3,75%— vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos nos últimos meses.

Na ponta corporativa, o Bradesco foi destaque. O banco anunciou que vai fazer reunir seus negócios de saúde em um único conglomerado, chamado Bradsaúde e listado no Novo Mercado da B3, de olho numa venda parcial de suas ações no futuro.

De acordo com o banco, a empresa resultante terá, com base em dados de 2025, receita de R$ 52 bilhões, lucro de R$ 3,6 bilhões, 13 milhões de usuários, cerca de 3.600 leitos de hospitais e 35 clínicas.

Quando as ações da Bradsaúde começarem a ser negociadas, a empresa deve ter um valor de mercado entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões, segundo estimativa do Bradesco. O presidente da nova empresa será Carlos Marinelli, hoje presidente da Bradesco Saúde.

Depois de dispararem 3%, os papéis ordinários e preferenciais do banco perderam fôlego e fecharam em alta de 0,65% e 0,9%, respectivamente. Odontoprev, uma das empresas agora sob o guarda-chuva do Bradsaúde, avançou 13%.

“O dia foi mais pesado no Ibovespa, apesar de ter fechado um mês bastante positivo. O IPCA-15 veio bem acima das projeções e isso trouxe estresse na curva de juros, com alguns investidores desmontando as apostas que o BC pudesse fazer um ciclo mais rápido de cortes”, avalia Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos.

“Mas ainda assim é quase dado que o primeiro corte vem de 0.5 ponto porcentual na reunião de março.”

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