A Braskem informou nesta segunda-feira (20) que a Novonor (ex-Odebrecht) assinou o contrato para a venda da sua fatia na companhia ao fundo de investimento em participações Shine (Shine I FIP), que é assessorado pela gestora IG4 Capital.
O contrato assinado deriva do acordo anunciado em dezembro do ano passado, que envolveu a compra pela IG4 de cerca de R$ 20 bilhões em dívidas da Novonor detidos pelos maiores bancos do Brasil e garantidas por ações da Braskem.
Quando o negócio for concretizado, o fundo deve compartilhar o controle da Braskem com a Petrobras, o segundo maior acionista da empresa, com 47% do capital votante da Braskem e 36,1% do capital total.
De acordo com fato relevante da Braskem, o Shine assumirá 50,1% do capital votante e 34,3% do capital social total da companhia. Em contrapartida, Novonor terá sua participação reduzida a uma fatia residual, permanecendo com 4% do capital social total.
A conclusão da venda da participação da Novonor na Braskem ainda depende da aprovação de órgãos regulatórios e de que a Petrobras não exerça seus direitos de preferência e de venda conjunta (“tag along”) previstos no atual acordo de acionistas. A estatal afirmou no mês passado que não exercerá esses direitos.
A IG4 é uma gestora brasileira de investimentos, especializada em companhias endividadas, em reestruturação financeira ou com problemas de governança. Em 2017, por exemplo, a empresa adquiriu o controle da CAB Ambiental, do grupo Galvão, e relançou a companhia como Iguá Saneamento. A Iguá é uma das quatro companhias que dominam 84% dos serviços privados de água e esgoto. Em 2024, a IG4 deixou o controle da empresa.
PROTEÇÃO JUDICIAL CONTRA CREDORES
No início deste mês, a Braskem também passou a considerar a possibilidade de entrar com um pedido de proteção judicial contra credores, segundo pessoas envolvidas nas negociações.
Nenhuma decisão final foi tomada e os planos ainda podem mudar. A Braskem não comentou o assunto.
Para complicar ainda mais a situação, o fundo IG4 Capital ainda aguardava a aprovação do órgão regulador antitruste na Europa para assumir o controle acionário da Braskem da Novonor, o que não estava previsto para acontecer antes de maio.
A Braskem enfrentou vários anos difíceis devido à fragilidade do mercado global de petroquímicos e às tentativas frustradas de sua controladora Novonor de se desfazer de ativos após seu envolvimento no escândalo de corrupção Lava Jato, no Brasil, há uma década. Mas os problemas da Braskem se intensificaram nos últimos meses, com as consequências de um desastre ambiental em uma de suas minas de sal e a pressão contínua sobre seu fluxo de caixa.
AUMENTO DO PREJUÍZO
Em 27 de março a Braskem divulgou em balanço que registrou um prejuízo de R$ 10,28 bilhões no 4º trimestre de 2025, em comparação com prejuízo de R$ 5,65 bilhões no mesmo período de 2024.
A maior petroquímica da América Latina apurou um resultado operacional medido pelo Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) recorrente de R$ 589 milhões, expansão de 6% em relação ao mesmo período no ano anterior.
Já a receita líquida do grupo caiu 16%, alcançando R$ 16,10 bilhões. Por distribuição demográfica, 60% da receita foi proveniente do Brasil, seguida por 22% nos Estados Unidos.
O desempenho ficou abaixo das expectativas do mercado. Analistas esperavam um Ebitda recorrente de R$ 665 milhões e receita de R$ 16,9 bilhões, de acordo com dados da LSEG.
Segundo o grupo, o Ebitda recorrente foi afetado pela continuidade do ciclo de baixa prolongado da indústria global.
“A dinâmica da indústria petroquímica seguiu impactada pelas incertezas do cenário externo considerando os conflitos geopolíticos e a guerra tarifária que, combinada com a sazonalidade do período pressionou ainda mais os spreads químicos e petroquímicos no mercado internacional”, afirmou a empresa na época.
Com informações da Reuters e da Bloomberg