As investigações realizadas pela Polícia Federal sobre os esquemas de corrupção que envolvem o Banco Master identificaram uma conta bancária de Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, com um saldo de mais de R$ 2,2 bilhões.
A informação faz parte da decisão judicial que autorizou as operações da PF realizadas nesta quarta-feira (4), que levou à prisão de Daniel Vorcaro e Fabiano Zettel, pastor e marido da irmã de Vorcaro.
A Folha questionou Henrique Moura Vorcaro e a Reag sobre o assunto. Não houve resposta até a publicação deste texto.
A decisão informa que, mesmo após Vorcaro ser posto em liberdade com o uso de tornozeleira eletrônica, em 28 de novembro de 2025, “a organização criminosa continuou a ocultar recursos bilionários em nome de terceiros”.
Esses valores, relata a PF, “foram descobertos em razão das medidas executadas por ocasião da Segunda Fase da Operação Compliance Zero, deflagrada no dia 14/01/2026, oportunidade em que foi bloqueada a impressionante quantia de R$ 2.245.235.850,24”.
O valor, prossegue a PF, “estava na conta do genitor de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, junto à empresa CBSF DTVM, mais conhecida como Reag”. Reag é a instituição financeira que foi responsável por fundos de investimento por onde passaram recursos desviados do Master.
A decisão de fazer o bloqueio judicial do valor foi tomada para evitar movimentações ou eventual dissipação de recursos.
A descoberta dos recursos em nome do pai de Vorcaro ocorreu no momento em que os agentes ampliavam o rastreamento de ativos ligados ao grupo. O objetivo agora é mapear a origem e a movimentação da cifra bilionária.
“A organização criminosa demonstra altíssima capacidade de reorganização, mesmo após deflagração de operações. Portanto, caso os investigados permaneçam em liberdade, há o elevado risco de articulação com agentes públicos e da continuidade da prática de ocultação e reciclagem de capitais por meio da utilização de empresas de fachada”, afirma o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), que se tornou relator dos inquéritos relacionados ao caso.
Mendonça pontua que “as atividades criminosas, tal como demonstrado pela Polícia Federal em sua representação, continuaram a ocorrer mesmo após o início do inquérito e as operações dele decorrentes”.