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Charlize Theron relembra sua juventude com pai alcoólatra – 19/04/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Charlize Theron, vencedora do Oscar por “Monster: Desejo Assassino” e atriz de filmes como “Atômica” e “Mad Max: Estrada da Fúria“, voltou a comentar a morte do pai, baleado pela mãe da artista em legítima defesa, numa entrevista recente ao New York Times.

“Acredito que esses assuntos precisam ser mais abordados para que outras pessoas se sintam menos sozinhas”, afirmou Theron. Ela já havia abordado o caso, que aconteceu aos seus 15 anos de idade, em diferentes ocasiões.

Segundo a artista, o pai alcoólatra não a agredia fisicamente, mas a submetia a diferentes situações de perigo, como dirigir bêbado com ela presente, e fazia diversas ameaças verbais. Na época, ela vivia em uma fazenda na África do Sul, para a qual se mudou quando tinha quatro anos.

“Meu pai tinha construído um bar enorme dentro de casa. Isso não era incomum. Muitos sul-africanos criam um espaço em casa onde podem beber. Mas ali, aquilo se tornou o lugar onde ele vivia. Ele era um alcoólatra funcional, mas tinha momentos em que desaparecia, e geralmente voltava em um estado bem grave.”

A morte de seu pai aconteceu numa tarde em que Theron e sua mãe tinham ido ao cinema. Ao retornarem, as duas encontraram os portões de casa trancados. Segundo ela, a medida de segurança era comum em meio às tensões da época, marcada pelo Apartheid.

A dupla, então, se dirigiu à casa do tio da atriz, onde seu pai bebia com frequência, para buscar as chaves. Quando chegaram, Theron correu para o banheiro e não cumprimentou todos os presentes. Segundo ela, isso deixou o pai furioso. Mais tarde, junto do irmão, ele voltou para casa e atirou contra os portões para invadi-la.

“O mais louco é que nenhuma bala nos atingiu. É inacreditável quando você pensa dessa forma. Mas a mensagem era muito clara. ‘Vou matar vocês hoje à noite. Acham que eu não consigo entrar por essa porta? Podem apostar. Vou até o cofre. Vou pegar a espingarda’.”

A mãe de Theron correu até o cofre em que guardava uma pistola, matou o pai e conseguiu desarmar o tio da artista. “Infelizmente, essa não é uma história isolada. Essas situações são comuns em muitos lares. As mulheres são tratadas de forma muito, muito injusta, mesmo neste país.”

Theron cresceu na África do Sul durante o Apartheid, na década de 1980. O governo era caracterizado por políticas de segregação racial entre pessoas brancas e negras, garantindo a supremacia do primeiro grupo, minoria na população.

“Violência e turbulência faziam parte do cotidiano. Vi coisas que não deveria ter visto em uma idade tão jovem”, disse ainda a atriz. Ela cita um homem queimando dentro de um carro e efeitos do HIV entre as cenas que testemunhou.

Um ano após a morte do pai, ao completar dezesseis anos, Theron se mudou para a Itália, onde trabalhou como modelo e iniciou sua carreira. Hoje, é ativista por várias causas humanitárias. Ela foi nomeada, em 2008, Mensageira da Paz pela ONU e fundou uma organização voltada à sul-africanos que enfrentam o HIV, além de ter se firmado enquanto voz ativa em debates feministas e sobre a comunidade LGBTQIA+.

“Monster”, que fez dela a primeira pessoa sul-africana a vencer o Oscar, segue a história real da assassina em série Aileen Wuornos, prostituta que passou a matar homens sistematicamente.

Agora, Theron se prepara para lançar “Apex”, suspense em que interpreta uma alpinista que se vê na mira de um assassino interpretado por Taron Egerton. O filme chega à Netflix em 24 de abril.

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