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Ações da Petrobras sobem mais de 4% – 09/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

As ações da Petrobras e de outras petroleiras brasileiras sobem em bloco nesta segunda-feira (9). O movimento é impulsionado pela disparada de até 30% nas cotações do petróleo, em meio aos temores de que a guerra no Oriente Médio interrompa o fornecimento da commodity por um período prolongado.

Às 13h, os papéis da Petrobras subiam 4,43% (ações ordinárias) e 4,15% (ações preferenciais). Na máxima do dia, a alta chegou a 5,37% (ordinárias).

Os papéis da Prio e da Brava Energia também avançavam, com altas de 5,84% e 1,62%, respectivamente. A Prio liderava os ganhos da Bolsa de Valores brasileira, cujo principal índice avançava 0,17%.

O petróleo chegou a disparar quase 30%, na maior variação diária desde 1988, próximo de US$ 120 pelo barril. Na máxima do pregão, às 23h30 de domingo (8), a commodity chegou a estar cotada a US$ 119,46 (R$ 626,14), no maior valor desde 29 de junho de 2022, quando chegou a US$ 120,41 durante a sessão.

Para Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha Investimentos, um cenário de conflito prolongado tende a ser positivo para as petroleiras listadas. “Se o Brent continuar sendo negociado acima de US$ 100 por barril, é provável que a Petrobras repasse parte desse movimento para os preços no mercado doméstico.”

Segundo ele, a companhia pode se beneficiar tanto do aumento das receitas com exportação de petróleo quanto da melhora nas margens de refino, isto é, ao transformar petróleo bruto em gasolina ou diesel.

Na última sexta-feira (6), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o cenário internacional ainda é muito volátil e que a estatal irá aguardar antes de reajustar os preços internos dos combustíveis.

“A política de repasses nervosos da variação do preço do petróleo para cima é coisa do passado. Gerou muita confusão, muita insegurança e só beneficiou grandes importadores”, afirmou Magda em entrevista. “A sociedade perdeu, a Petrobras perdeu e dois ou três lucraram.”

A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã tem provocado valorização de ativos considerados seguros —como o dólar— e pressionado os preços do petróleo. Ao mesmo tempo, Bolsas globais têm sido pressionadas pela maior aversão ao risco.

O Irã responde por cerca de 3% da produção global de petróleo, mas exerce influência ainda maior sobre o mercado de energia por causa de sua posição estratégica às margens do estreito de Hormuz, rota por onde passa uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo e que está virtualmente fechada.

No domingo (8), Mojtaba Khamenei, 56, filho do aiatolá Ali Khamenei, foi anunciado como novo líder supremo do Irã. Seu pai, que ocupava o posto de autoridade máxima do país, foi morto em um ataque aéreo israelense em sua residência oficial no sábado (28).

A nomeação do novo líder, considerado de perfil mais linha-dura, reforçou as expectativas de um conflito mais prolongado.

Horas depois do anúncio, o Irã atacou a instalação petrolífera de Al Ma’ameer, no Bahrein, a principal do país, provocando um incêndio e danos materiais. No mesmo dia, Israel realizou bombardeios contra tanques de petróleo em território iraniano.

“O Brasil é um dos poucos exportadores relevantes de petróleo que, aparentemente, não tem envolvimento direto na disputa. Isso pode favorecer algum fluxo de divisas para o país, já que não se espera nenhuma disrupção relevante nas exportações brasileiras de petróleo”, afirma Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.

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