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Guerra no Irã: como americanos sentem efeitos econômicos – 10/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

Menos de duas semanas após o ataque de forças dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, os americanos já estão sentindo os efeitos do conflito no outro lado do oceano. Os preços da gasolina subiram. Os preços dos alimentos provavelmente vão aumentar. E a volatilidade no mercado de ações pode ameaçar economias para a aposentadoria.

O presidente Donald Trump disse inicialmente que a guerra duraria de “quatro a cinco semanas”, mas recentemente tem dado sinais contraditórios, às vezes sugerindo que poderia se tornar um conflito prolongado.

Se isso acontecer, as consequências para os americanos podem se acumular, alertaram alguns especialistas. Os consumidores podem reduzir os gastos e as empresas podem parar de contratar ou recorrer a demissões, ameaçando a economia como um todo.

Veja como os americanos provavelmente sentirão o impacto econômico da guerra.

PREÇOS DO PETRÓLEO E DA GASOLINA

O preço médio da gasolina nos EUA atingiu US$ 3,48 por galão nesta segunda-feira (9), de acordo com o clube automobilístico AAA. Isso representa um aumento de quase 17% desde os primeiros ataques americano-israelenses ao Irã em 28 de fevereiro. A gasolina não era tão cara desde 2024.

Os preços do diesel subiram 24% desde o início da guerra, para quase US$ 4,66 por galão. Esses preços podem elevar o custo de tudo o que é transportado por caminhão, incluindo pacotes da Amazon e alimentos, exemplifica Mark Zandi, economista-chefe da Moody’s Analytics.

Esses preços refletem o aumento do custo do petróleo. O preço de referência internacional do petróleo saltou brevemente para quase US$ 120 nesta segunda, antes de encerrar o dia abaixo de US$ 90, após Trump fazer declarações sugerindo um conflito mais curto. Zandi projeta que, se o preço se estabilizar em torno de US$ 95 por barril, o galão de gasolina comum pode chegar a US$ 3,75 ou US$ 4 na próxima semana.

“Já há consequências sérias e significativas da guerra”, afirma.

Os preços da energia têm disparado à medida que a guerra estrangulou o tráfego de navios no estreito de Hormuz, a via navegável na costa sul do Irã por onde cerca de um quinto do petróleo mundial é transportado.

Várias refinarias na região também fecharam ou reduziram o processamento, algumas após sofrerem danos, de acordo com a empresa de pesquisa Kpler. Isso significa que estão transformando menos petróleo em combustíveis como gasolina, diesel e querosene de aviação.

Trump, que prometeu reduzir o custo da energia durante a campanha presidencial, escreveu no Truth Social no domingo que os preços mais altos do petróleo eram “de curto prazo” e “um preço muito pequeno a pagar pela segurança e paz dos EUA e do mundo”.

PREÇOS DOS ALIMENTOS

O aumento dos preços do petróleo e da gasolina pode levar a aumentos modestos nos preços dos alimentos, diz Miguel Gómez, diretor do Programa de Gestão da Indústria Alimentícia da Universidade Cornell. “É difícil dizer quanto, mas vai haver um impacto”, diz ele, acrescentando que muitos alimentos que os americanos compram, como frutas e verduras, serão mais caros de importar.

Se os navios não começarem a circular pelo estreito de Hormuz nas próximas semanas e meses, os preços dos alimentos podem continuar subindo, afirma Gómez. Isso porque o Golfo Pérsico é uma importante fonte de fertilizantes para o mundo. Se os navios não conseguirem levar fertilizantes ao mercado, os agricultores podem usar menos, se conseguirem usar. Como resultado, o mundo terá menos alimentos, e eles serão mais caros.

Com o plantio de primavera começando nos EUA, Zippy Duvall, presidente da Federação Americana de Associações Agrícolas, alertou em uma carta a Trump nesta segunda-feira (9) que os agricultores estavam se preparando para interrupções no fornecimento de fertilizantes e aumento de preços.

Se os EUA não priorizarem o fornecimento de fertilizantes, o país “corre o risco de ter uma escassez de safras”, escreveu Duvall. “Isso não é apenas uma ameaça à nossa segurança alimentar —e, por extensão, à nossa segurança nacional—, tal choque de produção pode contribuir para pressões inflacionárias em toda a economia dos EUA.”

PASSAGENS AÉREAS

As viagens aéreas podem ficar mais caras por causa do aumento do preço do querosene de aviação, disse Scott Kirby, presidente-executivo da United Airlines, na semana passada. Embora a demanda por viagens continue forte, o preço do combustível, um dos maiores custos operacionais das companhias aéreas, subiu 58% desde o início da guerra, disse Kirby.

“Está ficando muito mais caro comprar uma passagem e muito mais difícil encontrar uma tarifa com desconto a preço acessível”, avaliou Henry Harteveldt, analista do setor aéreo do Atmosphere Research Group em San Francisco, nesta segunda.

Se a guerra continuar a elevar o valor das passagens, o choque de preços pode levar alguns americanos a não voar nos próximos meses, disse Harteveldt. “As companhias aéreas também sabem que, se elevarem demais as tarifas, a demanda cairá, então estão tentando encontrar um equilíbrio.”

PREVISÕES ECONÔMICAS

O aumento nos custos de energia também abalou os mercados financeiros, tornando o S&P 500 e outros importantes índices de ações muito voláteis. Se o conflito “se arrastar, então o dano se torna muito mais sério”, diz Zandi. As empresas podem reduzir as contratações se houver menos demanda. E se as empresas recorrerem a demissões, uma recessão se torna uma ameaça maior, avalia.

Daron Acemoglu, economista do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), também alertou que os aumentos nos preços do petróleo e a maior incerteza global podem prejudicar a economia americana. “Como os EUA não parecem ter uma estratégia clara de saída do Irã”, disse ele em um e-mail, os efeitos podem ser “duradouros”.

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