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Federação iraniana coloca em dúvida participação na Copa – 10/03/2026 – Esporte

by Silas Câmara

O presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, voltou a colocar em xeque a participação de seu país na Copa do Mundo 2026, que será disputada nos Estados Unidos, no México e no Canadá, após o asilo concedido pela Austrália a cinco jogadoras da seleção feminina.

“O presidente dos Estados Unidos escreveu dois tuítes para pedir que fosse concedido asilo político às nossas jogadoras (…), e que se a Austrália não fizesse isso, ele faria. Ele provocou 160 mártires ao matar nossas meninas em Minab e agora sequestra nossas meninas. Como ser otimista nessas condições em relação à Copa do Mundo nos Estados Unidos?”, declarou Taj na emissora de televisão estatal, aludindo a um suposto bombardeio contra uma escola em Minab no início da guerra, pelo qual o Irã responsabiliza Israel e os Estados Unidos.

“Se a Copa do Mundo acontecer nessas condições, quem em sã consciência enviaria sua seleção nacional a um lugar assim?”, afirmou.

O Irã deve disputar em Los Angeles dois de seus três jogos da fase de grupos da Copa do Mundo, contra Bélgica e Nova Zelândia, e um em Seattle, contra o Egito.

A Austrália concedeu asilo a cinco jogadoras da seleção feminina iraniana que foram classificadas como “traidoras” em seu país após se recusarem a cantar o hino nacional antes de uma partida da Copa da Ásia, em um contexto de guerra no Oriente Médio desde o início da intervenção israelo-americana no Irã em 28 de fevereiro.

Essa decisão foi motivada pelo risco de que as jogadoras sejam perseguidas em seu retorno, anunciou nesta terça-feira o ministro do Interior australiano, Tony Burke.

As jogadoras permaneceram em silêncio enquanto tocava o hino do Irã antes de sua primeira partida na Copa da Ásia, contra a Coreia do Sul, dois dias após o início da guerra. Em seus dois jogos seguintes no torneio, elas cantaram o hino.

Essa atitude foi interpretada como um ato de rebelião e um apresentador da televisão estatal chamou as jogadoras de “traidoras em tempos de guerra”.

Diversas pessoas fizeram apelos para que a Austrália garantisse sua segurança, entre eles o presidente americano, Donald Trump.

Os australianos “já estão cuidando de cinco delas, e o restante virá em seguida. Algumas, no entanto, sentem que devem retornar (ao Irã) porque temem pela segurança de suas famílias”, declarou Trump na segunda-feira (9) após uma conversa com o primeiro-ministro australiano.

Taj já havia colocado em dúvida na semana passada a participação do Irã na Copa do Mundo, que será disputada de 11 de junho a 19 de julho.

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