A farmacêutica EMS promete estar com a sua versão do concorrente Ozempic no mercado até setembro, se confirmada nos próximos 60 dias a autorização sanitária da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), afirma Marcus Sanchez, vice-presidente da empresa no Brasil.
A expectativa do mercado é que a patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic, caia agora em março. Com a queda, as canetas emagrecedoras, como Ozempic e Wegovy, poderão ser vendidas por outras empresas, desde que tenham registro da Anvisa. Um pedido da EMS está sob avaliação da agência.
“Nós estamos aguardando o registro, a autorização sanitária da Anvisa, que deve sair nos próximos 60 dias, e a partir daí a gente tem mais um período para colocar esse produto no mercado. Se a data se materializar, em setembro chegamos com o concorrente do Ozempic no mercado”, diz Sanchez.
Sanchez conta que há 12 anos a empresa decidiu fazer investimentos com o objetivo de dominar a tecnologia proprietária das canetas de GLP-1 (o princípio ativo das canetas emagrecedoras), volume que hoje chega a R$ 1,2 bilhão.
“Foi uma opção nossa, embora, é óbvio, não soubéssemos que esse mercado seria tão grande”, diz Sanchez. Hoje, a EMS já comercializa a liraglutida [Saxenda].
Para Sanchez, é difícil mensurar o tamanho do mercado de canetas emagrecedoras no Brasil, já que o medicamento mira vários grupos, como obesos e diabéticos, e é, segundo o executivo, um produto de uso contínuo. Sanchez se diz usuário de caneta emagrecedora, com a qual perdeu 35 quilos.
“Se você fizer uma mudança de vida radical, você até consegue deixar a caneta, mas sabemos que apenas cerca de 10% dessa população consegue isso. Então, estamos falando de um produto de uso contínuo”, diz.
Sanchez diz que o produto da EMS deve chegar ao mercado 20% mais barato que o medicamento de referência e prevê que essa queda se aprofunde mais adiante, em razão do que chama de “reorganização da produção”: uma combinação de queda dos preços da matéria-prima, aumento da concorrência e redução de margens de lucro. A própria EMS tem falado que há potencial para uma queda de até 35% nos preços.
Na semana passada, a EMS anunciou a compra da Medley, produtora de genéricos da francesa Sanofi. Atualmente, diz Sanchez, há um equilíbrio, no faturamento da EMS, entre genéricos e medicamentos de prescrição médica.
Segundo ele, se aprovada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), a compra da Medley pode fazer a balança pender para os genéricos, mas a venda das canetas tem potencial para reequilibrar esse jogo. “Passando o Cade, a participação de genéricos [no faturamento] será um pouco maior, mas, com o lançamento das canetas de GLP-1, esse equilíbrio deve voltar”, diz Sanchez.
A marca EMS fatura R$ 7 bilhões e o grupo, R$ 10 bilhões.
No ano passado, as empresas que operam no varejo farmacêutico brasileiro faturaram R$ 128,6 bilhões, uma alta de 12% sobre 2024 impulsionada justamente pelas vendas de canetas emagrecedoras, como Mounjaro, Ozempic e Wegovy.