Bora Brasil é o nome escolhido para a empresa que resulta da fusão entre Skala e Lola Cosméticos, duas das marcas nacionais com força no comércio popular e de classe média do país. As empresas operam juntas desde julho do ano passado, mas o batismo só veio em fevereiro.
A junção dá maior escalabilidade às operações no Brasil, mas também fora do país —a distribuição no mercado internacional representa cerca de 25% das vendas da nova companhia. A ideia é que 40% da receita venha de fora em até cinco anos.
Para 2026, a empresa prevê a expansão de canais digitais, reforço no marketing e nova fábrica para atingir a meta de R$ 2 bilhões em faturamento no final do ano. O principal impulso, no entanto, deve vir do lançamento de novos produtos.
Os produtos mais importantes das marcas nos Estados Unidos são as máscaras de tratamento, sobretudo aquelas que atendem cabelos crespos e cacheados —as prateleiras americanas ainda carecem de produtos para clientes dessas texturas, fato que é mola importante para o desempenho da Skala no país.
A empresa agora leva shampoos, condicionadores, óleos, gelatinas e outros itens de tratamento. Segundo o CEO da Bora Brasil, Luís Delfim, a empresa passa por uma “terceira fase” de implantação nos EUA.
“Criamos uma campanha dedicada ao mercado americano. É a mesma marca Skala, mas falando a linguagem da consumidora de lá, que é um pouco diferente. Mudamos o tom de voz, falamos sobre brasilidade da maneira que ela é percebida nos Estados Unidos, que é diferente da que o brasileiro entende aqui”, declara ao Painel S.A.
Os produtos da Bora Brasil estão disponíveis em 82 países, mas a expansão nos EUA é a prioridade máxima e a direção dos investimentos: “é o maior mercado do mundo”, lembra Delfim.
A concorrência no mercado de produtos econômicos e premium, onde se encaixam Skala e Lola, respectivamente, é bastante agressiva nas prateleiras americanas. Lá, há uma faixa extensa de produtos apelidados de “drugstore” (“de farmácia”), que ocupam o espaço almejado pela brasileira.
Delfim também aposta na exposição nas principais feiras de beleza do mundo para impulsionar a marca. “O segundo investimento está em colocar mais gente na rua vendendo Skala e Lola”, declara.
O cenário internacional conturbado causa certa preocupação sobre os planos de expansão, mas não o suficiente para fazer a empresa recalcular a rota.
“Sempre acontece algo em algum lugar”, afirma. Ele dá como exemplo a intervenção americana na Venezuela, que fez com que os envios de produtos da Bora Brasil parassem por algumas semanas e depois fossem retomados.
O Brasil, contudo, gera mais tensão. “Nossos parceiros do varejo estão sofrendo com a retração do consumo, no geral”, comenta sobre o patamar da taxa Selic, hoje em 15% ao ano.
Na opinião do executivo, a categoria em que atua é mais resiliente do que outros bens de consumo da categora beleza. “Temos dados que mostram que a consumidora prefere excluir outros produtos da cesta [que não os capilares] ou troca por uma opção mais barata’”.
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