Os preços dos combustíveis no Brasil subiram pela segunda semana consecutiva, informou a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) nesta sexta-feira (13). A alta reflete os impactos da guerra no Irã no setor de energia, particularmente a disparada de preços do petróleo no mercado internacional.
A média de preços nos postos brasileiros está em alta desde que o conflito começou, no dia 28 de fevereiro, mas o aumento foi mais expressivo na última semana: a gasolina subiu 2,5%, passando de R$ 6,30 para R$ 6,46, e o diesel subiu 11,8%, saltando de R$ 6,08 para R$ 6,80.
No caso do diesel, a alta da última semana foi causada principalmente pelo aumento do preço em refinarias e importadores da esfera privada. A mudança de preços em refinarias da Petrobras foi anunciada nesta sexta-feira (13) e deve impactar os preços coletados pela ANP a partir da próxima semana.
O aumento anunciado pela estatal é de R$ 0,38 por litro no preço do diesel vendido em suas refinarias. O repasse final da mudança, no entanto, deve ser amenizado pela redução de tributos do combustível anunciada pelo governo federal na véspera.
Nesta quinta-feira (12), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto e uma MP (medida provisória) que zeram o PIS e a Cofins do óleo diesel, estabelecem o pagamento de subvenção a produtores e importadores e instituem um imposto de exportação de petróleo.
O governo estima que as medidas reduzirão em R$ 0,64 o preço do litro do diesel na bomba, sendo R$ 0,32 referentes à isenção do PIS/Cofins e R$ 0,32 à subvenção, que vale até 31 de dezembro e ficará limitada a R$ 10 bilhões.
Como o aumento de preços da Petrobras é superior aos R$ 0,32 por litro de isenção de PIS/Cofins, isso significa que o repasse final para as distribuidoras será de R$ 0,06 por litro. “É um aumento residual”, afirmou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Segundo a Petrobras, o diesel sairá de suas refinarias a R$ 3,65 por litro a partir deste sábado (14). Foi a primeira mudança no preço do diesel desde maio de 2025.
A alta de preços no Brasil reflete a crise vivida pelo setor energético desde que Estados Unidos e Israel iniciaram ataques ao Irã. O conflito levou a interrupções do fluxo de navios pelo estreito de Hormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás, e desencadeou uma crise de abastecimento global.
Nesta semana, a commodity chegou a bater US$ 119,46 na segunda-feira (9), mas recuou abaixo dos US$ 100 na mesma sessão. Os preços voltaram a subir nesta quinta-feira (12) e encerraram o dia cotados acima de US$ 100 pela primeira vez desde 2022, após nova onda de ataques contra as infraestruturas petrolíferas dos países do golfo Pérsico.
Nesta sexta-feira (13), o preço do óleo oscilou, mas voltou a ultrapassar a casa dos três dígitos. A oscilação ocorre mesmo após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que os EUA escoltarão embarcações pelo estreito de Hormuz se for necessário. O país anunciou também que realizará o maior ataque ao Irã nesta sexta, de acordo com o secretário de Defesa, Pete Hegseth.