Um juiz federal dos Estados Unidos bloqueou nesta sexta-feira (13) as intimações do Departamento de Justiça emitidas como parte da investigação criminal sobre a condução do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, das reformas da sede do banco central americano em Washington.
Powell é alvo frequente do presidente Doanld Trump e disse anteriormente que a investigação era uma ameaça à independência do Fed, o banco central americano. Ele também afirmou que a medida seria um pretexto para Trump pressionar o banco a cortar as taxas de juros.
O juiz James Boasberg concordou, afirmando que uma “montanha de evidências” sugere que a investigação visava pressionar o presidente do Fed a reduzir as taxas ou a renunciar. A procuradora federal do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, indicada pelo presidente Donald Trump e que lidera a investigação, prometeu recorrer da decisão.
“O governo não apresentou essencialmente nenhuma evidência para suspeitar que o presidente Powell cometeu um crime; de fato, suas justificativas são tão frágeis e infundadas que o Tribunal só pode concluir que são pretextuais”, escreveu Boasberg.
As intimações buscavam informações sobre as reformas de dois edifícios históricos que levaram a estouros de orçamento e sobre o depoimento de Powell em julho de 2025 perante o Comitê Bancário do Senado.
A decisão, por ora, dificultará a continuidade da investigação do Departamento de Justiça sobre Powell. Os promotores afirmaram que estão examinando se Powell fez declarações falsas ao Congresso e cometeu fraude, de acordo com documentos judiciais tornados públicos nesta sexta.
Boasberg concluiu que as intimações foram emitidas com propósito impróprio e, por isso, não eram legalmente válidas. “O governo não ofereceu nenhuma evidência de que Powell cometeu qualquer crime além de desagradar o presidente”, escreveu o juiz.
“O governo poderia muito bem investigá-lo por fraude postal porque alguém uma vez o viu enviar uma carta”, continuou Boasberg.
Pirro disse em uma coletiva de imprensa que o juiz “castrou a capacidade do grande júri de investigar crimes”. “Como resultado, Jerome Powell hoje está banhado em imunidade”, afirmou ela a jornalistas, acrescentando que a suspeita de que uma lei foi violada é razão suficiente para prosseguir com os casos.
Um porta-voz do Fed se recusou a comentar.
Com o bloqueio das intimações nesta sexta, a indicação de Trump do ex-Fed Kevin Warsh para suceder Powell na presidência do Fed permanece em um limbo. O mandato de Powell termina em meados de maio.
O senador republicano Thom Tillis prometeu usar sua posição no Comitê Bancário do Senado para bloquear qualquer indicado ao Fed enquanto a investigação estiver aberta, efetivamente congelando o processo de confirmação de Warsh.
Tillis disse nesta sexta que um recurso do Departamento de Justiça contra a decisão “só atrasará a confirmação de Kevin Warsh como o próximo presidente do Fed”.
Trump tem pressionado o banco central a cortar as taxas de juros e atacou Powell repetidamente ao longo do ano passado.
Como parte da ofensiva contra a instituição, Trump também tentou demitir a diretora do Fed Lisa Cook em agosto. A justificativa eram alegações não comprovadas de fraude hipotecária, o que ela nega. Foi a primeira tentativa de um presidente de demitir um governador do Fed desde a criação do banco central em 1913.
Cook também chamou as acusações de Trump de pretexto para demiti-la por divergências sobre política monetária. Em janeiro, os ministros da Suprema Corte dos EUA sinalizaram ceticismo em relação à tentativa de Trump de demitir Cook. O tribunal ainda não decidiu sobre o assunto.
A decisão é o mais recente revés judicial para o Departamento de Justiça de Trump em meio a investigações contra críticos e antagonistas do presidente. Um juiz em novembro rejeitou acusações contra o ex-chefe do FBI James Comey e a procuradora-geral do estado de Nova York Letitia James, que anteriormente lideraram investigações sobre Trump.
Boasberg escreveu em sua decisão que ser adversário de Trump “tornou-se arriscado nos últimos anos”.