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Museu Britânico substitui ‘Palestina’ por ‘Canaã’ – 17/03/2026 – Tv Folha

by Silas Câmara

Por que o Museu Britânico, dono do maior acervo histórico do mundo, removeu o termo Palestina de suas galerias? Uma reportagem do jornal britânico “The Guardian” gerou reações e protestos em Londres.


Ela questiona se o museu cedeu a um grupo de advogados pró-Israel. O coletivo havia reclamado que mapas e descrições aplicavam o termo Palestina a períodos históricos em que, segundo eles, “uma entidade assim sequer existia”. Eles veem nisso o risco de “obscurecer a história de Israel e do povo judeu”.

O museu nega ter cedido à pressão, e diz que fez as mudanças de forma independente. No entanto, a mudança ocorre enquanto a guerra de Israel na Faiza de Gaza já danificou mais de 150 heranças culturais, muitas delas sítios arqueológicos da Antiguidade.

O que levanta a questão: quando museus fazem alterações como essa em temas politicamente sensíveis ou em tempos de guerra, como garantir que a motivação seja acadêmica e não pressão política?

“Se falarmos estritamente, ‘Canaã’ é mais preciso para a Idade do Bronze Tardia. Não contestamos isso, não tenho problema com isso. Mas quais foram as razões para terem colocado, originalmente, Palestina? Não há achados científicos ou novas descobertas que justifiquem essa mudança”, diz Ayman Warasneh, arqueólogo e museólogo palestino com 20 anos de experiência.

O museu afirma que continua usando o termo Palestina em diversas galerias, tanto contemporâneas quanto históricas.

Mas disse que alterou alguns rótulos e mapas para utilizar Canaã, termo que considera mais preciso para o Levante meridional no final do segundo milênio antes de Cristo.

Muitos dos artefatos do museu provenientes da região foram escavados durante o período do Mandato Britânico para a Palestina (1922–1948).

“Estamos distinguindo entre fatos arqueológicos e lugares geográficos. Não estamos dizendo que Palestina significa Palestina naquela época, na Idade do Bronze Tardia; que exista um lugar com esse nome naquele período. Estamos falando exatamente do Levante meridional. Quando colocamos Palestina na Idade do Bronze Tardia, é apenas uma designação geográfica”, afirma Warasneh.

O caso do Museu Britânico, no entanto, não é isolado. O mesmo grupo de advogados pediu à Open University, no Reino Unido, que deixasse de descrever a Virgem Maria como tendo nascido na ‘antiga Palestina’ em seus materiais de curso.

No Canadá, o Royal Ontario Museum enfrentou pressão semelhante devido a artefatos rotulados como ‘Síria ou Palestina’.

“Museus lidam com sensibilidades. Nós mostramos fatos. Fatos às vezes doem. Mudanças não explicadas minam a confiança do público”, afirma Warasneh.

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