Nem parecia que os brasileiros haviam saído de mãos abanando do Oscar. No Golden Globes Tribute Gala, realizado no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, na noite desta quarta-feira (18), o clima era de festa.
“A gente ganhou muito”, disse a atriz Alice Carvalho, do elenco de “O Agente Secreto”. Ela acompanhou os colegas na cerimônia em Los Angeles no domingo e retornou ao Brasil na manhã desta quarta. “A forma carinhosa como as pessoas têm olhado para o cinema nacional reverbera aqui dentro”, acrescentou, citando o público de cerca de 2 milhões de espectadores que o filme de Kleber Mendonça Filho levou às salas.
Além de Carvalho, o primeiro evento do Globo de Ouro fora dos Estados Unidos reuniu nomes de peso —a começar pelos apresentadores Lázaro Ramos e Bruna Marquezine.
A lista de convidados trouxe figuras recorrentes do audiovisual brasileiro, como Cauã Reymond, Taís Araujo, Antonio Fagundes, Regina Casé, Marcos Palmeira, Juliana Paes e Paolla Oliveira, além de influenciadores como Silvia Braz e Camila Coutinho, que se revezaram no tapete vermelho ao longo de três horas.
Eles estavam ali para homenagear os veteranos Fernanda Montenegro e Antônio Pitanga, pelas contribuições ao audiovisual brasileiro, além do diretor de fotografia Adolpho Veloso e da atriz Valentina Herszage, destaques recentes.
Montenegro não compareceu e a ausência foi anunciada instantes antes do início da cerimônia. A atriz enviou uma mensagem de agradecimento, que foi lida à plateia por Ramos. “Por mais que agradeça, não exprimo suficientemente a tamanha dimensão desta premiação que me chega às mãos nestes meus quase cem anos de vida”, dizia o texto.
Veloso também não subiu ao palco, surpreendendo os presentes. Segundo o ator Allan Souza Lima, que recebeu a homenagem em seu lugar, o diretor de fotografia —indicado ao Oscar por “Sonhos de Trem”— não conseguiu viajar devido a uma nevasca.
O plano é que o Golden Globes Tribute Gala passe a ocorrer anualmente. Quando o evento foi anunciado, em dezembro, a prefeitura do Rio afirmou que a parceria já está garantida também para 2027 e 2028.
Um dos criadores do evento, o produtor Uri Singer, atribuiu a escolha do Brasil para a estreia internacional ao tamanho do mercado audiovisual do país. Segundo ele, 16 milhões de brasileiros acompanham a premiação —uma das principais do cinema hollywoodiano—, contra 8 milhões de espectadores nos Estados Unidos.
“É um mercado enorme”, afirmou. “E isso é muito bom para a indústria, que agora começa a olhar para cá. Todo mundo quer saber o que é o Brasil.”
No tapete vermelho, os atores também refletiam sobre a possibilidade de carreira internacional. Questionada sobre o tema, Carvalho —que viu seu colega Wagner Moura vencer o Globo de Ouro e ser indicado ao Oscar por “O Agente Secreto”— disse não descartar a ideia. “Tenho planos de tudo. Estou sempre aberta a contar boas histórias.”
Colaborou Victor Moreno.