O JP Morgan Chase começou a verificar se as horas que os analistas de investimento juniores declaram trabalhar correspondem às atividades registradas eletronicamente pelos sistemas de TI do banco, em uma tentativa de evitar o excesso de trabalho.
O banco passará a emitir relatórios para os funcionários iniciantes comparando estimativas geradas por computador sobre a semana de trabalho com as planilhas de horas autodeclaradas. Pessoas familiarizadas com o assunto dizem que a iniciativa faz parte de um programa piloto.
O JP Morgan planeja expandir o programa para todo o seu banco de investimentos, acrescentaram as fontes. A estimativa considera a rotina semanal dos funcionários, incluindo videochamadas, digitação no computador e calendário de reuniões.
“Assim como os resumos semanais de tempo de tela em um smartphone, essa ferramenta é sobre conscientização —não fiscalização”, informou o JP Morgan em comunicado. “Ela foi projetada para apoiar a transparência e o bem-estar e incentivar conversas abertas sobre carga de trabalho.”
Os bancos de Wall Street são famosos pelas cargas de trabalho extenuantes necessárias para atender às demandas de clientes que pagam honorários de milhões de dólares. Em troca, os bancos oferecem salários que podem chegar a US$ 200 mil para cargos de analista e associado em início de carreira.
Em 2024, o JP Morgan nomeou um funcionário sênior para supervisionar o bem-estar dos juniores. Desde então, o JPMorgan restringiu o trabalho nos fins de semana e também limitou a semana de trabalho dos funcionários mais jovens a 80 horas, geralmente com base em números autodeclarados.
Essas iniciativas, no entanto, foram ineficientes, pois alguns analistas declaram incorretamente as horas que trabalham, registrando menos horas para evitar serem retirados de negócios em andamento ou para garantir que ainda possam ser incluídos em novos projetos.
As tecnologias de vigilância no ambiente de trabalho se tornaram mais comuns desde a pandemia de Covid-19, mas têm sido controversas entre alguns trabalhadores que argumentam que são desnecessariamente intrusivas e violam direitos de privacidade.
No Goldman Sachs, analistas juniores foram chamados discretamente e orientados a descansar quando o monitoramento eletrônico interno era acionado. “A gestão monitora a alocação e os níveis de atividade dos funcionários juniores e ajusta regularmente as cargas de trabalho de nossas equipes”, disse o Goldman em comunicado.
O BofA (Bank of America) lançou uma ferramenta em 2024 para monitorar a carga de trabalho de estagiários e trabalhadores juniores e alertar quando ela excedesse 80 horas por semana. O sistema, que rastreia as horas de trabalho declaradas semanalmente, foi projetado para distribuir a carga de trabalho entre os funcionários de acordo com sua capacidade.
Recentemente, a questão da carga de trabalho entre os mais jovens em bancos de investimento foi parar nos tribunais após uma analista processar a Centerview Partners, boutique de elite em assessoria de fusões e aquisições de Nova York, por ter sido demitida após pedir a garantia de nove horas de sono diárias.