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Anitta diz que não faz música pensando em conservadores – 17/04/2026 – Ilustrada

by Silas Câmara

Anitta afirmou que não faz música pensando em conservadores. A cantora, que lançou na última quinta-feira (16) o álbum “Equilibrium“, disse que essas pessoas não estão interessadas no trabalho dela, somente “se for para ganhar engajamento, falar mal ou ganhar alguma vantagem”.

Ela fez o comentário ao atender a imprensa para falar de seu novo disco nesta sexta-feira (17), após ser perguntada se estava preocupada em gerar desconforto no público conservador com a obra. Isso porque “Equilibrium” faz referências à espiritualidade de maneira plural, incluindo referências das religiões de matriz africana e do hinduísmo.

“Não teria porque eu pensar nessas pessoas, mesmo que elas estejam me atacando”, ela disse. “Vejo como uma coisa completamente indiferente e irrelevante na minha vida. Não são eles que vão ao meu show, não são eles que que compram meu ingresso. Então não teria porque eu acordar e fazer qualquer coisa na minha vida pensando nessas pessoas.”

Apesar de tratar da espiritualidade, Anitta disse que “Equilibrium” não é um disco sobre religião. “É sobre um estado de espírito, sobre coisas que eu acredito não apenas no sentido religioso. Tem uma coisa ou outra, mas acho que é mais sobre um estado de sentimento mesmo. Espero que impacte o público dessa maneira —a sensação de se sentir inteiro por dentro. A gente pode encontrar respostas em vários lugares, não só em uma religião.”

A cantora comentou sobre a intolerância religiosa no Brasil, dizendo não saber se sua obra pode contribuir para acabar com esse tipo de preconceito. Segundo ela, as pessoas que têm “essa raiva, esse ódio” dentro delas talvez não estejam abertas para “respeitar o lugar do outro e escutar o outro”. “Nem acho que [o álbum] tem essa intenção.”

Anitta, contudo, afirmou acreditar que seu novo trabalho pode deixar as pessoas que já acreditam ou têm simpatia por essas religiões se sentirem mais fortes e desavergonhadas em relação à sua crença. Ela disse esperar que o disco possa ajudar no combate ao racismo religioso, que chamou de algo triste, mas que não fez as músicas com esse pensamento.

“Tento não colocar mais essa pressão, porque senão a gente fica muito limitado na hora de criar. Fica muito preocupado em lacrar e não em criar uma coisa incrível, sabe? Nesse álbum eu só estava querendo fazer alguma coisa muito legal mesmo.”

Com 15 faixas, “Equilibrium” é recheado de influências da música brasileira, incluindo samples de Vinicius de Moraes e Baden Powell a Os Tincoãs. Há referências a Carmen Miranda, batidas de samba, inspiração em culturas indígenas brasileiras.

Até por isso, disse a cantora, a turnê do álbum terá o Brasil como prioridade —ao contrário do que aconteceu com “Funk Generation“, seu disco de funk mirando os estrangeiros lançado há dois anos. Segundo ela, os shows também serão diferentes do que ela faz nos Ensaios da Anitta, suas apresentações de Carnaval que duram várias horas e têm um repertório amplo para agradar diversos públicos.

É algo que tem a ver também com a atmosfera de “Equilibrium”, que ela definiu como um disco mais tranquilo, com uma mensagem sobre silenciar, muita religiosidade e uma sonoridade específica. “Pensamos num show mais intimista —um pouco maior que os do ‘Funk Generation’, mas menor do que nos Ensaios. Não vou ficar tocando músicas que a galera que não escuta o álbum inteiro quer ouvir. Então, para ir a esse show, tem que realmente ter escutado o álbum inteiro —é isso que vou cantar.”

Gravado no estúdio da casa de Anitta no Rio de Janeiro, onde ela voltou a morar após anos no exterior, “Equilibrium” foi feito com a ajuda de diversos colaboradores —de Marina Sena a Ponto de Equilíbrio, passando por Luedji Luna, Ebony e Os Garotin, incluindo produtores como Papatinho, Iuri Rio Branco e Carlos do Complexo. Ela disse que não planejou as colaborações, e nem pensou em números de audiência, em prêmios ou na crítica ao realizar o trabalho.

“Estou nesse momento de carreira em que não ligo se vai dar certo, se vai ter ‘views’, números, se vai ficar internacional, se o povo fora do Brasil vai curtir, se não vai. Assim, vou amar [se isso acontecer], mas não estou nessa pressão. Estou meio que ‘se dane’ para qualquer fórmula que tenha que se seguir para chegar a certos lugares na carreira. Estou fazendo só o que eu estou afim.”

Também por causa disso, Anitta disse que não estava preocupada em sempre mudar sua sonoridade ao longo de sua carreira, passando por funk, pop e reggaeton, entre outros estilos. “Não mudo só minha cara fazendo plástica, me mudo inteira. Espero que pra melhor. E não tenho vergonha disso.”

“Equilibrium”, disse a cantora, talvez tenha sido o disco que ela mais gastou dinheiro para criar —não para alcançar mais sucesso, mas sim porque ela ficou muito envolvida com o projeto. Anitta afirmou que o álbum retrata um processo pessoal de cura e de autoconhecimento que “começa na desgraça e mostra o caminho até a iluminação”.

Em um ano de eleições para presidente e de Copa do Mundo, ela disse, o trabalho propõe a criação de consensos contra extremismos, a começar pelo título. Esses extremos, a cantora afirmou, estariam sendo impulsionados porque geram mais visualizações nas redes sociais, devido à lógica dos algoritmos de criar bolhas e recompensar a indignação.

“Acho que temos sido muito extremistas na nossa forma de nos posicionar politicamente. Sou uma pessoa que defende ideias que vão englobar, unir, apoiar as pessoas que têm mais dificuldades, menos oportunidades —apoiar as minorias.”

Anitta lembrou sua infância passando por dificuldades financeiras no bairro de Honório Gurgel, na zona norte do Rio. “Nasci numa realidade bem pobre, tive poucas oportunidades. Tive que ralar muito para chegar lá. As pessoas às vezes falam assim, ‘Tá vendo? Você ralou e chegou lá’. Pois é, mas isso é bem injusto, porque eu tive que ralar 50 vezes mais que uma pessoa que nasceu numa realidade mais privilegiada.”

Ela disse que aprovou uma postagem feita nas redes sociais pelo perfil do Governo do Brasil, em defesa do fim da escala 6×1. “Equilíbrio é poder trabalhar cinco dias e viver os outros dois”, diz o texto da publicação, que acompanhou uma foto da capa do álbum da cantora.

“Achei o máximo. Escrevi lá que a gente assina embaixo, com certeza. As pessoas têm que ter o direito de aproveitar mais a vida, né? É desumano [a escala 6×1]. Eu defendo ideias.”

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