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Onde ir em SP para passeio com grafites, comida e mais – 16/04/2026 – Passeios

by Silas Câmara


São Paulo


Quem acompanhava a cena paulistana de arte de rua há dez anos dificilmente imaginaria a transformação que estaria por vir. Os grafites se alastraram pelas regiões mais centrais da capital paulista, e começam a se espalhar além delas.

Mais e mais artistas surgem pela cidade, ao lado dos já conhecidos Os Gêmeos e Eduardo Kobra, e curadorias como a Instagrafite, de Marcelo Pimentel e Marina Bortoluzzi, e a Gentilização, comandada por Vera Nunes, profissionalizam a relação entre os grafiteiros e seus clientes.



Grafite de Enivo no Beco do Batman, na Vila Madalena


Rubens Cavallari/Folhapress

Entre as iniciativas, um dos destaques é o Museu de Arte de Rua, projeto da prefeitura que relaciona grafites e os financia por meio de editais públicos —e que tem trabalhado cada vez mais para levar esse tipo de arte além do miolo da cidade.

Conheça a seguir murais, acompanhados de opções para comer, beber e passear por São Paulo.

MINHOCÃO

Algodão Bravo

Neste grafite de Marissa Noana, duas mulheres negras se abraçam. Uma delas está grávida, e as duas seguram facas. Delas, brotam flores da planta que dá nome à pintura.

Observada do Minhocão na altura da rua Amaral Gurgel, 41, Vila Buarque, região central. @marissanoana.

Grafite de Snek

É um retrato de Basquiat realista em um fundo colorido. Sobre a cabeça do pintor, está a coroa que se tronou o seu símbolo mais reconhecível. “Samo”, grafado ao pé do mural, é o pseudônimo que o americano utilizava quando pichava as ruas de Nova York.

Pode ser observada do Minhocão na altura da av. Gen. Olímpio da Silveira, 183, Santa Cecília, região central. @snek_zn

Grafite de Zezão

O grafiteiro começou pintando muros da Vila Guilherme, na zona norte, em 1995. O grafite segue o seu estilo reconhecido, formado por formas abstratas azuis com toques orgânicos e cibernéticos. Pode ser observada do Minhocão na altura da pça.

Franklin Roosevelt, 92, Consolação, região central. @zezao_sp

A Natureza Tem nos Aturado

O título da obra do muralista Rogério Pedro e do cantor Carlinhos Brown vem da canção “Earth Mother Water”, composta pelo baiano. Enquanto a letra da música convoca o ouvinte a agir diante de problemas climáticos, o grafite mostra o músico que coassina a arte em harmonia com a natureza, mas com chamas nos olhos.

Observada do Minhocão na altura da av. Gen. Olímpio da Silveira, 33, Santa Cecilia, região central. @rogeriopedroart

Para passear

A melhor forma de desfrutar do museu a céu aberto em prédios no entorno do Minhocão é quando ele está fechado para carros. Durante a semana, das 20h às 22h, e aos sábados, domingos e feriados, das 7h às 22h, o elevado vira um grande parque onde é possível circular a pé ou de bicicleta.

Para completar o passeio, no trecho do Minhocão próximo à Barra Funda está o Theatro São Pedro (R. Barra Funda, 171), uma das mais antigas casas da cidade. Lá, entra em cartaz neste fim de semana “Orfeu no Inferno”, ópera de Jacques Offenbach. Já perto da estação de metrô Santa Cecília, da linha 3-Vermelha, o Teatro Estúdio (r. Conselheiro Nébias, 89) apresenta peças como “Mary Stuart”, com Denise Stoklos.

Para comer e beber

No trecho perto da Santa Cecília do Minhocão, é possível começar o dia com café e comidinhas do Takkø (R. Maj. Sertório, 553). Nos fins de semana, o Cora (r. Amaral Gurgel, 344, 6ºandar) funciona para almoço com pratos como coração de pato com couve-flor e cebola tostada (R$ 56). No fim do dia, quem gosta de cerveja pode se dirigir à Cervejaria Central (r. Jesuíno Pascoal, 101), bar que engoliu o cardápio do Krøsta, conhecido por suas pizzas, ou ao Kraut (r. Barão de Tatuí, 405), que tem drinques em conta e menu de inspiração alemã. No sentido Barra Funda, o Jaca Bô-Ah é café com comes veganos. Melhor acessado de carro, Caracol (R. Boracéa, 160) permite encerrar o dia com drinques e ambiente animado com música.

BEXIGA

Dois grafites, lado a lado

Nazura e Auá Mendes assinam dois grafites que ficam lado a lado e têm elementos da cultura negra e indígena. As artes podem ser vistas descendo a rua Jaceguai como quem vai da Casa de Dona Yayá ao Teatro Oficina, trajeto comum dos grafites selecionados aqui. Por lá, vale ver também outros desenhos e pichações distribuídos pela parte debaixo do viaduto Júlio Mesquita Filho.

R. Jaceguai, Bixiga, região central. @lyanzr e @aua___art

Obra critica ruína ambiental

Sem nome, a obra do artista Mundano critica a devastação ambiental, com uma catadora de lixo é representada carregando o mundo. As tintas do mural foram feitas com cinzas de incêndio e lama retirada de obras feitas para receber a COP30 em Belém.

R. Jaceguai, Bixiga, região central. @mundano_sp

La Conversione di San Paolo

Grafite do italiano Andrea Ravo Mattoni reproduz obra do pintor renascentista Moretto da Brescia que representa a queda de São Paulo de seu cavalo —momento em que ele teria se convertido ao cristianismo na tradição católica. É resultado de parceria entre o consulado italiano e a prefeitura.

R. Humaitá, 619, Bixiga, região central. @andrea_ravo_mattoni



‘La Conversione di San Paolo’, do italiano Andrea Ravo, no Bexiga


Rubens Cavallari/Folhapress

Para passear

O número 52 da rua Jaceguai é o lar do Teatro Oficina, com estrutura nada convencional que foi projetada pela arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992), a mesma do Masp. Ali, é possível assistir “Senhora dos Afogados”, montagem de Nelson Rodrigues, e “Dorival e a Mar”, que homenageia Caymmi.

Passe na livraria Na Nuvem (r. Treze de Maio, 744) e no Museu dos Óculos Gioconda Giannini (r dos Ingleses, 108), que conta a história das lentes por meio de 700 exemplares dos séculos 17 e 20.

Para comer e beber

Logo em frente ao Teatro Oficina, sob o viaduto Júlio Mesquita Filho, há uma pequena área comercial com um hortifrúti e algumas opções para comer, como o Box 62, que, além de servir pratos, tem uma das melhores coxinhas da cidade (R$ 18).

Subindo a Jaceguai, no número 428, na esquina com a rua Santo Amaro, dá para parar no restaurante Feijão de Corda e pedir uma carne de sol de carneiro (R$ 199 a porção para duas pessoas).

Com alguns minutos de caminha ou carro, vale ir ao Zebra (r. Major Diogo, 237) que mistura galeria de arte e bar de coquetelaria brasileira com pesquisa assinada por Néli Pereira. Ali, são servidos drinques como o panache do Davi (R$ 43), que leva cogumelos yanomami e mix de vermutes.

A menos de 15 minutos de caminhada, há uma miríade de bares com programação musical. Alguns deles são: Café Piu Piu (r. Treze de Maio, 134), famosa casa de rock; Samba da Treze (r. Rui Barbosa, 97), para apreciar o ritmo; Umbabarauma (r. Treze de Maio, 90), para quem gosta de brasilidades; e Funilaria (r. Rui Barbosa, 572), com samba e festa com DJs a depender do dia.

BECO DO BATMAN

Arte de Pardal

O artista desenhou um casal da ave que é sua marca registrada. A arte fica em um portão, logo ao lado da de Enivo e Pax, “Mesmo que Pareça Impossível, Lute”.

Beco do Batman, Vila Madalena, região oeste. @pardalone

Mesmo que Pareça Impossível, Lute

Perto da entrada do beco, fica esta colaboração de Enivo e Jotape Pax, em que cada artista representou uma figura ao seu jeito. Os dois estilos se encontram pelos braços cruzados das suas personagens. Caminhando um pouco mais, encontra-se outra obra de Enivo que representa uma criatura com cabela de tijolo.

Beco do Batman, Vila Madalena, região oeste. @enivo e @jotapepax


Pelé Beijando Batman

Faz parte de uma sequência de lambe-lambes feitas a partir da foto em que o ídolo do futebol beija o pugilista Muhammad Ali. Nesta, o jogador aparece com o personagem símbolo do lugar.

Beco do Batman, Vila Madalena, região oeste. @buenocaos

Para passear

Aos fins de semana, vale a pena aproveitar o passeio para ver a feira que acontece no espaço Be Cool SP (r. Gonçalo Afonso, 120), das 10h às 19h. Por lá, ficam à venda comidas e bebidas, roupas e outros apetrechos. Quem está em busca do que vestir também pode passar na Casa de Comade (r. Gonçalo Afonso, 111) ou no Brechó Pechinchei (r. Medeiros de Albuquerque, 144), que ficam abertos de manhã até o fim da tarde, também durante a semana.

O beco também abriga galerias de arte. A Ziv Gallery (r. Gonçalo Afonso, 119), que junta arte urbana a gastronomia, coquetelaria e música. A Kobbi Gallery (tv. Alonso, 23) se dedica a expor fotografias. A Sétima (r. Medeiros de Albuquerque, 250) e a Alma da Rua (r. Medeiros de Albuquerque, 188) trabalham com acervos variados. A maioria dessas casas não fecha tarde, então vale se programar para visitá-las logo cedo ou depois do almoço.

Espaços como o Becoartes (r. Gonçalo Afonso, 99) e o Pai do Beco (r. Harmonia, 40 ) cuidam da música ali, especialmente aos fins de semana, além de organizarem festas e servirem comida.

Para comer e beber

Falando em comer, não faltam opções pela Vila Madalena. O Coringa do Beco (r. Harmonia, 68) vende hambúrgueres para todas as horas. Para a sobremesa, a Dolfo’s (r. Medeiros de Albuquerque, 69) serve gelatos artesanais. O Buteco do Edy (r. Medeiros de Albuquerque, 234) aposta em um estilo mais simples e promete uma boa caipirinha. Saindo do beco, o bairro tem pontos que funcionam até mais tarde, com casas como Bar Alto (r. Aspicuelta, 194)e Pasquim (r. Aspicuelta,524).

VILA ANGLO BRASILEIRA

Grafite de Gusta Vicentini

O artista foi um dos que decoraram a travessa Roque Adóglio, principal concentração de grafites da região, junto com a viela Estevam Garcia. Seu desenho é de um garoto se apoia sobre as nuvens, enquanto pássaros voam acima de sua cabeça, que serve de terreno para uma casinha.

Travessa Roque Adóglio, Vila Anglo Brasileira, região oeste. @gustavicentini

Grafites de Alex Senna

A travessa é também a casa de vários grafites de Alex Senna, cujo estilo reconhecível pode ser encontrado em outros pontos da capital. Um dos que fica por ali é “Baile dos Mascarados”, em que um cortejo excêntrico desfila sobre um fundo amarelo. Já em “Pendulum”, pessoas se equilibram em um semicírculo diante de uma parede vermelha.

Travessa Roque Adóglio, Vila Anglo Brasileira, região oeste. @alexsenna

Para comer e beber

Para refeição da manhã ou da tarde, de terça a sábado, fica na região a padaria Forno Fecchio (r. Miranda de Azevedo, 1.187), que oferece pães de fermentação natural e quitutes variados. Lá perto, abre aos fins de semana o Catimba Tragos & Gorós (pça. Rio dos Campos, 10), bar de pegada rústica, mas com cervejas menos comuns, como a Lombriz, de jabuticaba (a partir de R$ 24).



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