Se metade dos looks que a Osklen desfilou na abertura da Rio Fashion Week nesta terça-feira chegar às lojas, será uma revolução para a marca. Isto porque a apresentação da grife carioca, tida pelo meio como um renascimento, trouxe o frescor e a vontade do novo pelo qual ela ficou conhecida no final dos anos 1990 e início da década de 2000.
Com a recuperação do controle da empresa pela família fundadora —depois de dez anos anos sob o comando das Havaianas, em que a Osklen virou uma marca de shopping genérica vendendo camiseta estampada e bermuda de praia—, a ideia é que a sua moda da mistura de fibras naturais com tecidos sintéticos volte a ter apelo.
Carol Trentini abriu o desfile com um conjunto de alfaiataria classudo, sem a cara de orla carioca comumente associada à marca, mais afeito ao luxo silencioso de peças discretas que tomou a moda global nos últimos anos. Era muito bonito, mas também um tipo de roupa que poderia ter sido criada por outras marcas.
Os apliques de brilhos nos looks seguintes chamaram bem mais a atenção —pedrinhas reluzentes apareceram em peças de juta e numa roupa de mergulhador, como uma segunda pele colada no corpo dos modelos, além de adornarem vestidos transparentes e acessórios como cintos.
Não poderiam faltar as belas peças feitas com a pele do peixe pirarucu, uma assinatura da Osklen. O material apareceu em maxi bolsas, num casaco com capuz e até numa saia masculina —estas duas últimas destaques da coleção, que foi mostrada em modelos com os corpos brilhantes, como se estivessem suados.
Oskar Metsavaht, o diretor de criação e estilo da marca, que assina a nova temporada com seu filho Felipe, sustenta que a Osklen representa a moda de luxo brasileira, mas diante da massificação da etiqueta e da falta de criatividade que a assolou na última década fica difícil comprar este argumento por completo.
Independente disso, a julgar pelo desfile desta terça, a primeira vez da Osklen nas passarelas em oito anos, é possível enxergar a grife como um laboratório original de pesquisa têxtil, em que o linho convive com o neoprene e a ráfia, com o nylon. Houve também experimentação com as formas, com silhuetas grudadas no corpo ou, pelo contrário, esvoaçantes e amplas.
A marca apresentou ainda seu novo logotipo, um ícone inspirado no desenho da calçada de Ipanema, que veio em forma de pulseira e colar. “Desfile é uma expressão cultural, de uma visão de moda, de um conceito, do estilo de um determinado criador”, diz Metsavaht.
Embora exista a intenção e o primeiro desfile desta retomada tenha sido promissor, só o tempo dirá se a Osklen vai reconquistar o posto que um dia teve de estrela da moda brasileira e de marca de luxo de fato.
O jornalista viajou a convite da Rio Fashion Week