A varejista Americanas solicitou a sua saída do processo de recuperação judicial (RJ) na noite desta quarta-feira (25). A empresa havia entrado em RJ em janeiro de 2023, com dívidas da ordem de R$ 43 bilhões, após vir à tona um rombo contábil de R$ 25,3 bilhões, que teria sido praticado por anos pela sua antiga diretoria.
De acordo com a varejista, o pedido foi protocolado junto à 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro, “tendo em vista o cumprimento de todas as obrigações previstas no plano de recuperação judicial com vencimento até dois anos após a homologação do plano”. A RJ foi homologada pela justiça em fevereiro de 2024.
A Americanas anunciou também a venda da Único, dona das franquias Imaginarium, Puket, Lovebrands e Casa Mind, para o grupo BandUp!, dono da rede Piticas, de confecção e acessórios infantis, por R$ 152,9 milhões.
De acordo com o especialista em recuperação judicial Filipe Denki, o pedido de saída da recuperação judicial não é automático. “O encerramento do processo depende de decisão judicial fundamentada”, diz o advogado, sócio da Véritas Administração Judicial. De acordo com a lei 11.101/2005, de recuperação e falências, é possível encerrar antecipadamente o processo mediante a demonstração do cumprimento integral das obrigações vencidas previstas no plano.
“O encerramento cessa a fiscalização judicial, na figura do administrador judicial, mas não extingue as obrigações futuras previstas no plano, e os credores mantêm seus direitos integralmente”, afirma Denki.
Uma das maiores varejistas do país, a empresa diminuiu de tamanho desde o anúncio de rombo contábil de R$ 25,3 bilhões, que teria sido perpetrado durante anos pela antiga diretoria. Com dificuldades criadas pela alta dos juros, as fraudes contábeis eram uma forma de manter portas abertas para novas linhas de financiamento junto a bancos e governo.
Os artifícios foram criados para dar uma aparência saudável aos números da companhia, fundada em 1929 em Niterói (RJ) por imigrantes americanos e que passou ao comando dos bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira no início dos anos 1980.
Na época do escândalo, Sicupira e o filho de Lemann, Paulo Alberto, integravam o conselho da empresa.
Em janeiro de 2023, a Americanas entrou em recuperação judicial, com dívidas de R$ 43 bilhões. Na época, somava 43.123 colaboradores, número que foi reduzido em 44%, para 23.988 ao final de janeiro de 2026, de acordo com os últimos dados do relatório do administrador judicial.
Em janeiro de 2023, a empresa tinha 1.880 lojas; em janeiro de 2026, somava 1.452 pontos de venda —ou seja, foram fechadas mais de 400 lojas, um corte de 23% na rede. Boa parte dos pontos de venda que ficaram diminuíram de tamanho e foram remodelados.
Na noite desta quarta, a Americanas também divulgou os resultados de 2025. A companhia registrou vendas brutas consolidadas de R$ 17 bilhões, uma queda de 9% sobre 2024. A receita líquida atingiu R$ 12,3 bilhões, recuo de 1,2%. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 33,2%, para R$ 1,1 bilhão. No Ebitda ajustado, houve alta de 11,6%.
O ano encerrou com prejuízo de R$ 271 milhões, frente a um lucro de R$ 8,3 bilhões em 2024, que havia sido obtido graças a efeitos contábeis decorrentes da reestruturação de dívidas.
RAIO-X AMERICANAS
Fundação: 1929
Sede: Rio de Janeiro
Funcionários: 23.988
Lojas: 1.452, em todos os estados do país e no Distrito Federal
Centros de distribuição: Seropédica (RJ), Uberlândia (MG), Itapevi (SP), Benevides (PA), Cabo de Santo Agostinho (PE), Simões Filho (BA), São José dos Pinhais (PR) e Gravataí (RS)
Principais concorrentes: supermercados, lojas de cosméticos, lojas de doces
Receita líquida 2025: R$ 12,3 bilhões