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Dólar e Bolsa hoje (2); acompanhe as cotações – 02/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

O dólar fechou próximo da estabilidade, com alta de 0,01%, cotado a R$ 5,158, nesta quinta-feira (2) após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar em discurso que pretende continuar os ataques contra o Irã.

Durante boa parte do dia, o pronunciamento reverteu o otimismo dos últimos pregões, de que a guerra no Oriente Médio poderia estar próxima do fim, e reforçou a busca por ativos de segurança.

À tarde, contudo, a notícia de que o Irã estaria elaborando um protocolo para monitorar a atividade no estreito de Hormuz foi interpretada como um sinal de normalização do fluxo e limitou o avanço do dólar e dos preços das commodities.

A Bolsa também ficou próxima do zero a zero, com alta de 0,05%, a 188.052 pontos.

No acumulado da semana, a moeda norte-americana recuou 1,52%, enquanto a Bolsa avançou 3,57%. Nesta sexta-feira (3), não haverá pregão em razão do feriado de Sexta-Feira Santa.

Em pronunciamento à nação na quarta, Trump voltou a afirmar que os objetivos militares do país na guerra do Irã estão “quase completos”, apesar de evitar esclarecê-los.

No discurso, Trump disse que a guerra continua até que todos os objetivos dos EUA sejam “totalmente cumpridos”. “Nós vamos levá-los de novo para a Idade da Pedra, aonde eles pertencem”, disse, afirmando novamente que isso deve acontecer “rapidamente” e que o Irã está “completamente derrotado”.

O republicano também minimizou o impacto do fechamento do estreito de Hormuz, onde um quinto do petróleo mundial circula, para o mercado da commodity. “Nós não precisamos do Oriente Médio, não precisamos do petróleo deles”, disse.

Em resposta, o Exército do Irã prometeu nesta quinta-feira (2) realizar ataques devastadores contra Estados Unidos e Israel.

“Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, sua desonra, seu arrependimento definitivo e sua rendição”, disse o comandante operacional do Exército iraniano, Khatam al-Anbiya, em comunicado na TV estatal. “Esperem ações ainda mais contundentes, amplas e devastadoras de nossa parte.

“O discurso trouxe pouca clareza sobre os próximos passos do conflito. Em alguns momentos, Trump sinalizou que os Estados Unidos estariam próximos de sair da guerra, mencionando um horizonte de curto prazo. Apesar disso, ele não apresentou um plano para os próximos passos”, afirma Lucca Bezzon, especialista de inteligência de mercado da StoneX.

Bezzon vê essa combinação gerando incerteza nos mercados. “O que antes era um ambiente de maior apetite por risco, sustentado pela perspectiva de um possível cessar-fogo entre os países envolvidos, dá lugar agora a um cenário de maior aversão”, afirma.

Em relatório, a Ágora Investimentos diz que o clima de cautela prevaleceu nos mercados globais nesta quinta-feira, após as declarações mais duras de Trump. “Esse ambiente externo mais defensivo pressionou os ativos brasileiros ao longo do dia”.

A sinalização de continuidade do conflito impactou os mercados de commodities e de juros futuros pela manhã, mas a expectativa de reabertura do estreito de Hormuz freou a alta.

No início da tarde, a agência oficial de notícias do Irã, IRNA, informou que o país está elaborando um protocolo com Omã para monitorar o tráfego no estreito, citando o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kezem Gharibabadi.

A notícia foi interpretada como uma sinalização de normalização do fluxo. “Na prática, seria uma forma de garantir uma travessia segura, possivelmente com algum tipo de tarifa. Isso, em tese, permitiria a passagem do petróleo e ajudaria a aliviar as pressões recentes sobre os preços da commodity”, diz Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.

O contrato de junho do Brent, referência global, subia 7,43%, a US$ 108,68 (abaixo da máxima de US$ 109,72, quando chegou a avançar 8,4%), às 17h. As altas repercutiram no pregão brasileiro, com as ações da Petrobras fechando em alta de mais de 2%.

No mercado de juros futuros, a perspectiva de reabertura do estreito também freou a alta. As taxas DI, que refletem as expectativas para a trajetória da Selic e do CDI, encerraram o dia em alta moderada.

A taxa do DI para janeiro de 2028 subiu a 13,75%, ante 13,715% do ajuste da sessão anterior (alta de 4 pontos-base). Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou 13,87%, ante 13,855% da sessão anterior (alta de 2 pontos-base).

Nos últimos dias, o pregão vinha sendo marcado pela expectativa do fim da guerra. Na quarta-feira (1º), Trump afirmou que o Irã pediu um cessar-fogo na guerra. Segundo o republicano, a proposta será analisada apenas quando o estreito de Hormuz, que está praticamente fechado desde o início do conflito, for reaberto por Teerã.

“Vamos considerar isso [cessar-fogo] quando o estreito de Hormuz estiver aberto, livre e desobstruído. Até lá, estamos reduzindo o Irã a nada ou, como dizem, de volta à idade da pedra”, afirmou.

Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, contudo, disse que a declaração do americano era falsa e sem fundamento, segundo a TV estatal.

Na quarta, o dólar fechou em queda de 0,43%, a R$ 5,157, enquanto a Bolsa encerrou o dia em alta de 0,26%, aos 187.952 pontos.

A guerra no Oriente Médio também tem influenciado decisões de política monetária ao redor do mundo. O tema foi citado tanto pelo Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA) quanto pelo Banco Central do Brasil nas decisões deste mês, diante do risco de pressão inflacionária global.

Na visão da XP, um conflito prolongado e preços de petróleo altos por mais tempo são os principais pontos de atenção do conflito, à medida que as expectativas de inflação local sobem acima da meta do Banco Central.

O banco, contudo, vê o Brasil bem posicionado, “dada sua alta exposição ao petróleo e o potencial de seguir atraindo fortes fluxos estrangeiros, especialmente quando as tensões arrefecerem”.

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