A dona do Labubu, boneco que virou febre global no ano passado, chegou ao Brasil. A Pop Mart abriu uma subsidiária no país na virada de 2025 para este ano e tem planos para lançar seu site de vendas nos próximos meses e lojas físicas no segundo semestre.
Antes disso, o grupo chinês, que tem capital aberto na Bolsa de Hong Kong e valor de mercado de mais de US$ 25 bilhões (R$ 129 bilhões), pretende fazer uma limpa no mercado brasileiro e quer tirar de circulação versões falsificadas do Labubu e de outros personagens da marca.
Para isso, a empresa ingressou na Justiça de São Paulo no dia 30 de março com um pedido de tutela de urgência imediata para barrar a venda de produtos piratas. Os advogados contratados pela Pop Mart alegam que a rede de lojas AllMini viola os direitos de marca e autorais do grupo chinês.
“Os consumidores muitas vezes não têm ciência de que estão adquirindo produtos falsificados, especialmente quando esses são comercializados em grandes shopping centers”, diz Diogo Squeff Fries, sócio do Souto Correa Advogados.
A AllMini tem 25 unidades em cinco estados do país. Na ação, a empresa chinesa relata casos de peças falsificadas que expõem a marca Pop Mart em lojas do grupo. Há versões fake do boneco Labubu, chaveiros e outros utensílios com personagens do grupo, segundo o documento.
Procurada pela Folha, a AllMini afirmou não ter conhecimento formal da ação e informou que se pronunciará assim que for intimada.
Em 2021, a Pop Mart fez pedido de registro de sua marca no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), que a reconheceu dois anos depois. Em 2024, solicitou o reconhecimento de produtos como Labubu e The Monsters.
“Com a abertura de sua subsidiária local, a Pop Mart indica a intenção de operar no Brasil e proteger seus interesses de mercado”, afirma Theo Silvério, advogado do Souto Correa.
Em 2025, o Google apontou que o Labubu foi o produto mais desejado por usuários que fizeram buscas na plataforma no Brasil. Versões originais do boneco podem ser adquiridas atualmente somente em sites que fazem importação direta e em poucas lojas físicas, caso da Ri Happy.
Com a chegada ao Brasil, a Pop Mart vai centralizar e ampliar essa distribuição. A presença da empresa no país faz parte de um plano de expansão global. Após virar febre com mega lojas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, o grupo desembarcou na América Latina, onde já opera no México, na Colômbia e na Bolívia.
Carro-chefe da marca, o Labubu foi criado há mais de uma década pelo artista de Hong Kong Kasing Lung. O boneco é um elfo da floresta inspirado na mitologia nórdica e parte da série de livros de Lung “Os Monstros”, com personagens fantásticos.
O Labubu catapultou o faturamento da Pop Mart, fundada em 2010 por Wang Ning, aos 20 anos, em Henan, no centro da China. Em 2020, a empresa abriu capital na Bolsa de Hong Kong, o que fez o seu dono figurar entre os 12 mais ricos do país no ano passado, de acordo com o índice de bilionários da Bloomberg.
O modelo de “caixa de surpresa” é apontado como um dos fatores de sucesso da marca. Quem compra o brinquedo na embalagem não sabe qual modelo do boneco está levando. Nos EUA, a versão pequena do personagem custa a partir de US$ 30 (R$ 156). Há outras opções de tamanho do bichinho de pelúcia por mais de US$ 1.200 (R$ 6.000).
Em 2024, eram 130 lojas físicas e 192 máquinas de venda automática fora da China continental. Números que quase dobraram no ano passado, com a inauguração de outros 109 pontos de venda.
O grupo se tornou um dos exemplos de empresas chinesas com sucesso global. Em 2025, 39% da receita veio de vendas fora do país. O faturamento chegou a 37,1 bilhões de yuans (R$ 28 bilhões) no ano passado, salto de 185% em relação a 2024.
Mais de um terço da receita, 38%, veio das vendas da linha do Labubu, que atingiram 14,2 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 10 bilhões). Os números, divulgados em março de 2026, tiveram um impacto negativo no valor das ações da empresa, que caíram mais de 22%.
Analistas apontaram que a dependência excessiva da Pop Mart dos monstrinhos desagradou aos investidores.
A empresa tenta se posicionar como uma versão chinesa da Disney. Neste ano, anunciou o lançamento de filme em parceria com a Sony Pictures e tem, desde 2023, um parque temático em Pequim, o Pop Land. O grupo também fechou parceria com a Fifa e lançou versões dos seus personagens com o tema da Copa do Mundo de 2026.
RAIO – X | POP MART
Sede: Pequim
Receita (2025): 37,1 bilhões de yuans (R$ 28 bilhões)
Funcionários: 10,8 mil
Concorrentes: Hasbro e Mattel