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Trump acha jeito de mentir sobre guerra no Irã – 07/04/2026 – Vinicius Torres Freire

by Silas Câmara

Donald Trump arrumou um jeito de contar uma mentira em casa e, talvez, de se livrar até das consequências mais extremas da desgraça que provocou para si —crise econômica e derrota eleitoral.

Depois de ameaçar varrer o país da face da Terra, Trump recuou do quarto ultimato que deu ao Irã. Não era para valer também a exigência de “rendição incondicional”, anunciada no sétimo dia da guerra.

Trump vai dizer que acabou com as armas do Irã, matou suas lideranças piores, “mudou o regime”, que a guerra acabou “no prazo” (qualquer prazo). Dirá que sua ameaça de solução terminal levou o regime da Guarda Revolucionária teocrática a reabrir Hormuz, que Trump desdizia ser um objetivo de guerra. Seus ultimatos, porém, vão ser testados por todos os seus adversários e inimigos.

Deve haver alívio no preço de gasolina e diesel. Trump pode confiar na memória curta da humanidade, ainda pior com o vício em redes, e desistir da guerra, deixá-la em suspenso para sempre, mesmo que o Irã não aceite mais nenhuma exigência americana.

O Supremo Conselho Nacional de Segurança do Irã afirmou que atingiu seus objetivos de guerra e que pretende manter o estreito de Hormuz sob controle. A passagem de navios pelo estreito será “coordenada” pelas Forças Armadas do Irã, que assim terá uma “posição econômica e geopolítica única”.

Mais do que isso, o Irã mantém seu plano de dez pontos para a paz. Entre outras coisas, exigem controle de Hormuz, direito de enriquecer urânio, fim de sanções dos EUA, da ONU ou quaisquer, reparações de guerra, retirada de tropas americanas da região, fim da guerra de Israel no Líbano. A aceitação de qualquer um desses pontos é derrota americana. O que vai ser? Trump vai deixar o assunto morrer ou vai arriscar a piora do problema econômico?

Haverá um cessar-fogo caso o Irã cumpra a promessa de não atacar navios no estreito de Hormuz —os americanos disseram que interromperam o bombardeio assim que Trump anunciou a suspensão da guerra, por um trumpite em sua rede social.

Não vamos saber o que seria da promessa de Trump de acabar com a “civilização” no Irã, se é que era promessa, se não era delírio de show business ou de filme D. Mas sabia-se do risco. Talvez os iranianos ainda tivessem bala na agulha bastante para destruir instalações de produção, processamento e transporte de petróleo e combustíveis em países do golfo. Se tivessem sucesso, provocariam altas imediatas do preço do petróleo e em taxas de juros pelo mundo. Por um tempo comprido, haveria combustíveis caros, inflação e outras crises, nos Estados Unidos também.

Como se sabe, há eleições legislativas marcadas para o final do ano. Trump pode perder maioria no Congresso (se não tentar roubar a eleição). Em caso de desastre eleitoral, os democratas poderiam conseguir maioria suficiente no Senado até para aprovar a deposição de Trump. É possível que agora, com leite e muito sangue derramado, isso que é por ora o presidente dos Estados Unidos tivesse se dado conta de que atraiu desgraça também para si. Segundo a média das pesquisas de opinião calculada por Nate Silver, a aprovação de Trump desceu ao menor nível desde a posse, embora ainda em 39%. Pouco antes da guerra, estava perto de 41%. O morticínio e o risco de inflação não comoveram os trumpistas resistentes, mas essa taxa de aprovação costuma dar em derrota nas urnas.


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