O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) prepara a aprovação, ainda neste ano, de financiamento para dois projetos de produção de SAF (combustível sustentável de aviação) no Brasil, segundo Luciana Costa, diretora de infraestrutura, transição energética e mudança climática do banco.
Por enquanto, os projetos são confidenciais, de acordo com Costa. Pelo menos um deles, diz ela, será feito no modelo de project finance. Essa operação permite que as garantias dadas pela empresa ao financiador (neste caso o BNDES) sejam os ativos do próprio projeto e os fluxos de caixa esperados no futuro. Dessa forma, a companhia consegue o financiamento sem constituir garantias próprias, ou seja, sem impactar o balanço da empresa.
Uma das alternativas para a descarbonização do setor, o SAF polui até 80% menos do que o querosene tradicionalmente usado pelas companhias aéreas. No entanto, ainda é caro e possui volumes insuficientes para dar conta de toda a demanda.
Costa foi uma das participantes do painel “Infraestrutura: desafios, oportunidades e fontes de financiamento”, realizado durante evento do Bradesco, em São Paulo.
Outro participante do evento, o CEO da Motiva, Miguel Setas, disse que a Guerra no Irã pode impactar a empresa, mas de forma residual. Um dos riscos é o efeito causado pelo aumento no preço do diesel, que pode prejudicar parceiros da companhia, segundo o executivo.
“O cenário mais provável é de um impacto muito residual, dentro do que é a crise atual”, disse Setas durante o painel.