Richard Stad, CEO da Aramis Inc., cita o “projeto Coreia do Sul” de país para explicar o movimento da firma que comanda: para ele, é possível mudar uma empresa em duas ou três gerações. Filho do fundador da varejista tradicional masculina, Henri Stad, o projeto do executivo é transformar a marca em um hub tech no setor.
Para isso, aumenta os times de tecnologia e dados. Foram contratados 23 estagiários focados em inteligência artificial e Stad procura no mercado um gerente de IA para chamar de seu.
Hoje, são 55 funcionários focados em desenvolvimento de novos sistemas, o que representa cerca de 5% da mão de obra da boutique —considerando lojas, matriz e centros de distribuição.
Ainda, a companhia montou três equipes de inovação como forma de descentralizar as funções focadas em tecnologia na varejista. Elas são compostas por engenheiros e analistas de dados que, segundo o executivo, “têm muita autonomia”.
A empresa quer sair na frente no que acredita ser uma corrida de quem aprende a adotar novidades primeiro. Além do aplicativo e e-commerce próprios, o grupo desenvolve programas de uso interno para mapear comportamentos e tendências da clientela.
As lojas físicas ainda representam 93% das vendas do grupo. Mesmo assim, houve crescimento de 43% nas vendas nos canais digitais da companhia em 2025, na comparação com o ano anterior.
“Prêt-à-porter”
Stad usa o serviço de alfaiataria, tradicional da Aramis, como exemplo de uso da IA para melhorar a experiência do cliente. Aquele que compra um terno, calça ou camisa da marca pode pedir ajustes para um alfaiate na loja sem custo adicional. Se esse mesmo cliente fizer uma compra nos canais digitais da companhia, por exemplo, poderá receber as peças com os ajustes já realizado —uma vez que as medidas já estarão no sistema da varejista.
Internamente, os sistemas são treinados para entender hábitos, desejos e problemas de clientes e fornecedores com maior precisão e rapidez.
Questão de investimento
O investimento na mudança de perfil da empresa é alto, mas cifras não foram divulgadas. Quando perguntado sobre a expectativa de retorno financeiro da empreitada, o CEO cita um case em vez de números: um dos agentes de IA montados pela firma ajuda executivos a montar seus planos de negócios —dentre as ideias, Stad só está interessado naquelas que tenham um ROE (retorno sobre os ganhos) de pelo menos duas vezes.
“Temos exigido uma expectativa de retorno de duas vezes, a não ser que seja um projeto que entendemos como estruturante e não trará resposta no curto prazo”, afirma o CEO.
O varejo tradicional vive momento de pressão com a taxa Selic em patamar alto e alto endividamento do consumidor. Stad afirma que a pivotagem da empresa para o universo “tech” não está relacionada com o desafio do cenário. “Ainda somos um varejo de moda, não quero fugir do setor em que estou inserido”, declara.
Ele dobra a aposta dizendo que 2026 deve ser um dos anos de maior investimento da companhia, mesmo com o cenário de aperto econômico —o grupo espera faturar até R$ 1 bilhão neste ano. Em 2025, o grupo abriu 16 lojas e faturou R$ 800 milhões.
O momento de mudança aparece nas alterações no quadro societário em dezembro 2025. O Bradesco saiu do negócio —no qual investia por meio da 2bCapital—, vendendo uma participação de 47%, enquanto dois novos fundos de investimento entraram: Concept Investimentos e Fener Capital, com 32,5% cada. O fundador, Henri Stad, também zerou sua participação. Hoje, Richard Stad tem 35% da empresa e é o maior acionista individual.
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