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Inflação nos EUA dispara a 3,3% em março no maior aumento em quase quatro anos – 10/04/2026 – Economia

by Silas Câmara

A inflação nos Estados Unidos registrou em março o seu maior aumento mensal em quase quatro anos, à medida que a guerra com o Irã elevou os preços do petróleo e o repasse das tarifas de importação persistiu, diminuindo ainda mais as chances de um corte na taxa de juros este ano.

O Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês) saltou 0,9% no mês passado, informou o setor de estatísticas do Departamento do Trabalho nesta sexta-feira (10), o maior aumento desde junho de 2022, quando os preços dispararam em resposta à guerra entre Rússia e Ucrânia. Em fevereiro, a subida havia sido de 0,3%.

Nos 12 meses até março, o índice avançou 3,3%, contra 2,4% registrado em fevereiro. Economistas consultados pela Reuters haviam previsto que o índice aceleraria 0,9% e aumentaria 3,3% na comparação anual.

O salto na inflação ao consumidor ocorreu na esteira de uma forte recuperação na criação de empregos no mês passado, o que sugeriu que o mercado de trabalho permanecia estável.

Há, no entanto, preocupações de que um conflito prolongado no Oriente Médio possa prejudicar o mercado de trabalho, especialmente se as famílias reagirem aos preços altos reduzindo os gastos.

A guerra dos EUA e Israel contra o Irã fez os preços globais do petróleo bruto dispararem mais de 30%, com o preço médio nacional da gasolina no varejo ultrapassando US$ 4 por galão pela primeira vez em mais de três anos. Embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha anunciado na terça-feira um cessar-fogo de duas semanas sob a condição de que Teerã reabrisse o estreito de Hormuz, a trégua parecia frágil e o local continua bloqueado.

O aumento do mês passado mostrou apenas os efeitos imediatos do choque nos preços do petróleo, que também elevou o custo do diesel. A alta de março evidenciou os desafios de acessibilidade enfrentados pelos consumidores. Trump venceu com folga a eleição presidencial de 2024 prometendo baixar os preços.

EFEITOS SECUNDÁRIOS DA GUERRA SÃO ESPERADOS

Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o CPI subiu 0,2% no mês passado, após alta de 0,2% em fevereiro. Isso se traduziu em um aumento de 2,6% na comparação anual do chamado núcleo do CPI. A alta moderada após o avanço de 2,5% em fevereiro provavelmente não oferece conforto aos dirigentes do Fed (Federal Reserve) com uma aceleração esperada em abril à medida que os efeitos secundários do choque nos preços do petróleo se propagam.

O Fed acompanha os índices de preços de Despesas de Consumo Pessoal para sua meta de inflação de 2%. Essas medidas registraram fortes ganhos mensais em fevereiro.

Tanto o núcleo do CPI quanto a inflação do PCE têm sido impulsionados pelo repasse de parte das amplas tarifas de Trump aos consumidores, compensando a tendência desinflacionária nos aluguéis.

Nos próximos meses, economistas esperam que o conflito no Oriente Médio eleve os preços do núcleo por meio do combustível de aviação mais caro, que aumentará as tarifas aéreas, e do diesel, que elevará o custo dos produtos transportados por rodovias. Os preços de fertilizantes e plásticos, entre outros produtos, também devem subir.

O fortalecimento da inflação levou alguns economistas a acreditar que o Fed não reduziria os custos de empréstimos este ano, uma convicção que foi reforçada pela divulgação na quarta-feira (8) da ata da reunião ocorrida entre 17 e 18 de março, que mostrou que um grupo crescente de formuladores de políticas no mês passado sentiu que aumentos nas taxas poderiam ser necessários.

O Fed manteve sua taxa de juros de referência na faixa de 3,5% a 3,75%. Alguns economistas ainda veem chance de um corte de juros se as condições do mercado de trabalho se deteriorarem. Outros argumentaram que a retração dos consumidores à medida que os preços da gasolina corroem seu poder de compra poderia dificultar o repasse dos custos mais altos do petróleo por parte de algumas empresas.

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