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Brasil é mercado estratégico da Ripple nas Américas – 11/04/2026 – Painel S.A.

by Silas Câmara

Para Monica Long, presidente da Ripple, a pergunta que separa projetos sustentáveis de apostas passageiras no mercado de criptomoedas não é o preço nem o volume negociado; é se a tecnologia resolve um problema real para pessoas e empresas.

“Tecnologia sem um dedo que aperte o gatilho não funciona. Só porque é interessante não significa que será útil para as pessoas”, disse ela, em entrevista ao Painel S.A..

Depois de um período de euforia, o mercado de ativos digitais voltou a sentir a pressão de um ciclo de baixa, o que o setor chama de “inverno” cripto. Na leitura da executiva, trata-se de um movimento cíclico natural, agravado pelo ambiente macroeconômico global, e não de uma ruptura estrutural para o segmento. “Já vimos muitos desses ciclos em 12 anos de indústria”, afirmou.

Do início do ano até o momento, o preço do bitcoin despencou 24,29%. O token XRP, usado pela Ripple nas transações, vê queda de 32,54% no mesmo período.

Quem tende a não sobreviver ao inverno, na avaliação de Long, são aqueles projetos cujo único argumento de existência é a especulação com ativos digitais. “Se o modelo depende apenas da valorização da criptomoeda, e os mercados caem, você perde a base de clientes. Os que sobrevivem têm uma solução real para um problema real”, disse.

Fundada há 13 anos em San Francisco, a Ripple não opera como corretora de tokens. Enquanto corretoras como Binance ou Coinbase são plataformas voltadas a pessoas físicas que querem comprar e vender criptomoedas, a Ripple atua como fornecedora de infraestrutura financeira para instituições —bancos, fintechs e empresas que movimentam dinheiro entre países.

A companhia oferece tecnologia e operações para que essas instituições possam coletar, converter e liquidar pagamentos em diferentes combinações de ativos digitais: criptomoedas, stablecoins ou moeda fiduciária tradicional.

O ambiente regulatório de cada país é um desafio para a aceleração do crescimento da companhia, apesar de Long considerar o Brasil um cenário propício para o setor.

A trajetória da Ripple nos Estados Unidos foi marcada por um dos processos jurídicos mais emblemáticos da história recente do setor. Em dezembro de 2020, a SEC (Securities and Exchange Commission) moveu uma ação contra a empresa, acusando-a de ter captado recursos por meio da venda do token XRP sem o devido registro como valor mobiliário, o que violaria leis federais. O processo caminhou por cinco anos.

Em 2023, uma decisão judicial parcialmente favorável estabeleceu que o XRP não é um título mobiliário quando negociado em bolsas abertas, embora as vendas institucionais tenham continuado sujeitas a regras mais rígidas. Em março de 2025, a SEC desistiu do recurso e encerrou oficialmente o litígio, com uma multa reduzida de US$ 125 milhões para US$ 50 milhões. O desfecho foi celebrado pelo setor como um sinal de virada na postura regulatória americana.

No mesmo período, o Congresso dos EUA aprovou o Genius Act (Guiding and Establishing National Innovation for U.S. Stablecoins Act), legislação que pela primeira vez cria um marco regulatório federal para stablecoins. Segundo Long, o impacto foi imediato: após a aprovação da lei, os ativos custodiados por instituições financeiras mais do que dobraram, assim como o volume de pagamentos em stablecoin. “A clareza regulatória é condição para a adoção em escala”, afirmou.

Brasil é visado

Long está no Brasil desde 2018 e acompanhou de perto a evolução do mercado local. Hoje, o país é, segundo ela, o mercado de maior crescimento da Ripple nas Américas em pagamentos certificados, e foi escolhido como sede das operações latino-americanas da empresa em São Paulo. No último ano, a equipe local dobrou de tamanho —em parte por causa de aquisições realizadas pela empresa.

Na avaliação da executiva, os fatores que tornam o Brasil um mercado estratégico para agentes de cripto: um ecossistema financeiro robusto, dores evidentes em pagamentos internacionais, clareza regulatória crescente e uma base de empreendedores que entende a tecnologia.

Quando questionada sobre a concorrência com o Pix, a executiva responde que não considera o método uma ameaça para o sucesso de criptoativos no Brasil. “O Pix resolve o pagamento doméstico, mas há um espaço natural para conectar os brasileiros com blockchain para transações internacionais”, disse Long.

A perspectiva da empresa é que o Brasil sirva de modelo para a região. “As duas coisas andam juntas: sem regulação clara, não conseguimos conectar as redes blockchain com as redes existentes, como o Pix”, concluiu.

A aderência de usuários, no entanto, é um desafio. O ambiente de inadimplência e pouca poupança entre os brasileiros pode ser um risco à frente.


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