Acha que os jovens estão avançando com entusiasmo rumo a um futuro mediado pela IA (inteligência artificial)? Pense de novo.
Mais da metade dos membros da Geração Z que vivem nos Estados Unidos usa inteligência artificial generativa regularmente, mas seus sentimentos em relação à tecnologia estão azedando, de acordo com uma nova pesquisa divulgada na quinta-feira (9) pela Gallup, a Walton Family Foundation e a GSV Ventures, uma empresa de capital de risco que atua no setor de tecnologia educacional.
O percentual de entrevistados entre 14 e 29 anos que disseram se sentir esperançosos em relação à IA caiu drasticamente desde o ano passado, de 27% para 18%. O entusiasmo dos jovens adultos com a inteligência artificial também diminuiu, e quase um terço dos entrevistados indicou que a tecnologia os deixava com raiva.
A pesquisa com mais de 1.500 pessoas foi realizada em fevereiro e março. Seus resultados sugerem que a animosidade dos americanos em relação à IA se estende a uma geração mais jovem —uma que atualmente está lutando para encontrar seu lugar no mercado de trabalho.
“Na maioria desses casos, os membros da Geração Z se tornaram cada vez mais céticos, cada vez mais negativos —partindo de um ponto em que, mesmo no ano passado, eles não eram particularmente positivos sobre isso”, disse Zach Hrynowski, pesquisador sênior de educação da Gallup que trabalhou na pesquisa.
Ele disse ter ficado surpreso com o quanto as atitudes dos jovens mudaram de forma perceptível. Muitos entrevistados reconheceram que a IA pode torná-los mais eficientes na escola e no trabalho, disse ele. Mas estavam preocupados com como a tecnologia afetaria sua criatividade e habilidades de pensamento crítico.
Jovens adultos no mercado de trabalho estavam especialmente céticos. Quase metade dos pesquisados disse que os riscos da inteligência artificial superavam seus potenciais benefícios no ambiente de trabalho, um salto de 11 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Apenas 15% disseram ver a IA como um benefício líquido.
As descobertas chegam enquanto pais, estudantes e formuladores de políticas debatem qual papel os sistemas de IA devem desempenhar na vida dos jovens. Membros da Geração Z têm recorrido a bots como o ChatGPT para conselhos sobre relacionamentos e ajuda com trabalhos escolares. Alguns estão usando as ferramentas para terceirizar decisões complexas e importantes, como qual faculdade frequentar.
No estudo, cerca de metade dos jovens relatou usar IA diariamente ou semanalmente, semelhante ao ano anterior. Pouco menos de 20% disseram não usar IA.
“Simplesmente não vimos um aumento na adoção no último ano, mesmo que eu ache que cada vez mais membros da Geração Z estejam dizendo que têm acesso a essas ferramentas”, disse Hrynowski. Os membros mais jovens da geração foram os mais propensos a dizer que usavam IA com frequência, acrescentou.
Em entrevistas, jovens adultos citaram uma variedade de razões para suas reservas em relação à inteligência artificial, incluindo a ameaça a empregos de nível inicial, a substituição da interação humana e a disseminação de desinformação alimentada por IA nas redes sociais.
Sydney Gill, 19 anos, caloura na Rice University em Houston, disse que era otimista em relação à inteligência artificial como ferramenta de aprendizado quando estava no ensino médio. Agora, enquanto tenta escolher seu curso universitário, sua perspectiva se tornou menos positiva.
“Sinto que qualquer coisa que me interessa tem o potencial de talvez ser substituída, mesmo nos próximos anos”, disse ela.
Abigail Hackett, 27 anos, que trabalha no setor de turismo e hotelaria perto de Anchorage, no Alasca, disse ter descoberto que algumas ferramentas de IA economizam tempo no trabalho. Ela não usa muito IA em sua vida pessoal, porém, porque disse que não quer que seus músculos sociais atrofiem.
“Ainda me sinto hesitante em usá-la para redigir minhas comunicações com outras pessoas, só porque acho que algumas dessas coisas são muito humanas, e eu gostaria de mantê-las assim”, disse Hackett, que participou da pesquisa da Gallup.
Outros entrevistados, como Ryan Guckian, 30 anos, testador de software em Detroit, eram adeptos mais entusiasmados. Ele disse que usa o ChatGPT diariamente para tarefas como vasculhar linhas de código e fazer brainstorming de ideias de receitas para seu aniversário de namoro com a namorada.
“Em geral, o que vi não me assustou muito”, disse ele. Recentemente, ele encontrou alguns vídeos gerados por IA de yetis nas redes sociais. Achou engraçados.
Apesar de seus sentimentos mistos, muitos jovens acreditam que algum grau de fluência em IA será fundamental à medida que amadurecem. Quase metade dos entrevistados que ainda não haviam se formado no ensino médio previu que precisarão saber usar IA em suas futuras carreiras.
E ainda pode haver espaço para as atitudes dos jovens em relação à inteligência artificial evoluírem. De todas as respostas emocionais medidas pela pesquisa, a mais amplamente relatada pelos entrevistados foi curiosidade.