Home » ABESPetro: Estabilidade importa mais do que preço – 13/04/2026 – Painel S.A.

ABESPetro: Estabilidade importa mais do que preço – 13/04/2026 – Painel S.A.

by Silas Câmara

Para a ABESPetro (Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo), O que importa é o preço do barril de petróleo se manter em um patamar estável. Isso vale mais do que a alta ou a queda do valor.

As empresas representadas pela entidade, que compõem o primeiro elo da cadeia produtiva do petróleo, avaliam que o cenário de instabilidade dos valores e contratos devido à guerra no Golfo Pérsico é mais prejudicial para o setor do que a alta do preço em si.

“Melhor o barril [de petróleo Brent] a US$ 100 (R$ 499) por algum tempo do que oscilando entre US$ 70 (R$ 349) e US$ 100 o tempo todo. Pelo menos, as empresas conseguiriam se planejar”, afirma Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da instituição.

As empresas representadas, em sua maioria, são multinacionais —estão expostas em maior ou menor medida às tensões no Estreito de Hormuz, de onde é escoada cerca de 20% da produção global de petróleo. Entre elas estão Baker Hughes, 2H Offshore, ABS e Altera Infrastructure, as maiores do mundo no segmento.

Desde às 11h desta segunda-feira (13), há ordem ativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para fazer cessar o trânsito de navios iranianos no canal vizinho do Irã. A restrição da circulação do petróleo impulsiona a alta do preço do barril de referência (Brent), que subiu 3,09% no dia para US$ 98 (R$ 489)—movimento que, a longo prazo, pode aumentar os valores da energia globalmente e pressionar a inflação.

A análise do setor, segundo o presidente da entidade, é de que o preço do barril deve permanecer no patamar de US$ 90 a US$ 100 por “muito tempo”. As companhias esperam maior estabilidade para precificar a commodity dentro de suas estratégias.

Para Ghiorzi, se o conflito entre Irã e Estados Unidos se alongar, pode haver reconfiguração das rotas internacionais do petróleo, ecoando o que aconteceu em 1986 após o colapso dos preços do petróleo. Naquele momento, mais compradores começaram a buscar o óleo em fornecedores no Mar do Norte, sobretudo na Noruega.

Neste caso, Brasil, Venezuela, Guianas e Suriname são candidatas a atrair os olhares dos compradores mundiais como rotas de fuga de uma região em conflito político. Não há ainda, entretanto, novos contratos gerados diretamente pela necessidade de desviar da guerra, segundo o executivo.

Não há esperança de uma resolução rápida do conflito no segmento. “Os fatores que causaram o embate continuam iguais. A briga está lá há cinco décadas, não se resolverá em duas semanas [tempo de cessar-fogo anunciado pelo governo americano em 7 de abril]”, declara.


LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.

Autor Original

You may also like

Leave a Comment