O preço do petróleo está em queda nesta terça-feira (14) após ficar perto de superar os US$ 100 nas primeiras horas de negociação. O barril Brent, referência mundial, chegou a US$ 99,41 às 3h45 (horário de Brasília), mas depois disso passou a cair e permaneceu entre US$ 97 e US$ 99.
Às 10h, o contrato de junho era negociado a US$ 97,67, queda de 1,70% em relação ao dia anterior. O preço do Brent chegou a ultrapassar US$ 100 na segunda-feira (13), mas terminou cotado a US$ 98.
Já o barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, chegou a cair mais de 3% para US$ 95,25 às 4h, mas às 10h o contrato de maio era cotado a US$ 96,14, desvalorização de 2,97% na comparação com segunda.
As Bolsas da Ásia e da Europa se recuperaram e voltaram a subir nesta terça, mesma situação do ouro, que subia 0,48% às 10h, cotado a US$ 4.790,32.
A queda no preço do petróleo é resultado de um maior otimismo no mercado para um acordo de paz entre EUA e Irã. Quatro pessoas próximas ao governo norte-americano informaram que equipes de negociação dos dois países devem voltar a se encontrar no Paquistão nesta semana.
O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a afirmar que o Irã quer fazer um acordo, mas acrescentou que não concordaria com nenhum resultado que permita a Teerã ter uma arma nuclear. O regime iraniano vem negando acordos com as condições estabelecidas por Trump.
“Os mercados estão negociando esperança, não resolução. As conversas fracassadas do fim de semana não produziram um acordo, mas também não fecharam a porta para a diplomacia, e isso é suficiente para que as ações continuem subindo por enquanto”, afirmou Charu Chanana, estrategista-chefe de investimentos da Saxo.
“O problema é que os mercados podem estar precificando a chance de desescalada mais rápido do que a comprovação dela, então eu ainda esperaria um mercado volátil, guiado por manchetes, em vez de uma tendência clara de apetite por risco”, complementou Chanana.
A pesquisa mensal de gestores de fundos globais do Bank of America para abril, realizada de 2 a 9 de abril e abrangendo 193 gestores de ativos que supervisionam US$ 563 bilhões, mostrou que o sentimento estava no nível mais pessimista desde junho do ano passado.
“As expectativas de crescimento caíram mais desde março de 2022, e para inflação, são as mais altas desde maio de 2021. Tudo isso é positivo de forma contrária para ativos de risco, desde que o cessar-fogo leve o preço do petróleo abaixo de US$ 84 o barril, mas não é um momento de ‘fechar os olhos e comprar'”, informaram analistas do levantamento.
A pesquisa mostrou que os investidores esperam que o petróleo seja cotado a US$ 84 até o final do ano, abaixo dos cerca de US$ 98 atuais.
Na segunda-feira, os militares dos EUA iniciaram um bloqueio dos portos do Irã, que impede o tráfego de navios que tinham permissão do regime iraniano, os únicos que vem circulando na região desde o início do confronto em 28 de fevereiro.
Dados de empresas de navegação nesta terça informavam que três navios-petroleiros estavam no estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás, mas as três embarcações tinham como destino final portos que não eram do Irã, o que permitiu a sua passagem pelo local.
Trump disse que Washington bloquearia navios iranianos e quaisquer embarcações que pagassem pedágios exigidos por Teerã, e que quaisquer embarcações iranianas de “ataque rápido” que se aproximassem do bloqueio seriam eliminadas.
A alta dos preços de energia alimentou preocupações com a inflação e levou investidores a se prepararem para a possibilidade de que vários grandes bancos centrais se inclinem para aumentos de juros, uma reversão acentuada em relação às expectativas pré-guerra de cortes ou uma pausa prolongada.
BOLSAS PELO MUNDO SE RECUPERAM
O cenário de expectativa de uma nova negociação entre norte-americanos e iranianos animou os investidores e as principais Bolsas pelo mundo voltaram a subir nesta terça.
O índice Euro STOXX 600, referência na União Europeia, registrava alta de 1,12% às 10h, em tendência seguida nas Bolsas de Frankfurt (1,14%), Londres (0,10%), Paris (0-,79%), Madri (0,89%) e Milão (1,05%).
Na Ásia, o índice CSI300, que reúne as principais companhias de Xangai e Shenzhen, saltou 1,19%, e o SSEC, em Xangai, teve valorização de 0,95%. Os mercados de Tóquio (2,43%), Hong Kong (0,82%), Seul (2,74%) e Taiwan (2,37%) também fecharam o dia com resultado positivo.