O árduo trabalho repetitivo de um operador de máquina agrícola está ficando para trás. A partir dos próximos anos, até 2030 provavelmente, praticamente todas as operações de preparo da terra, plantio, pulverização e colheita poderão ser feitos à distância e com as máquinas interagindo sem a presença de operadores.
Na colheita, enquanto as colheitadeiras avançam pelas lavouras de soja e têm seu graneleiro preenchido, tratores vão buscar os grãos colhidos e leva-os para o caminhão que vai transportá-los até os armazéns. Ao mesmo tempo, outras máquinas vêm atrás plantando o milho. Tudo sem operador.
É o futuro próximo que promete a PTx, marca que desenvolve tecnologias de precisão para a agricultura. Pertencente à AGCO, a empresa traz para o mercado brasileiro o sistema OutRun, que dará um novo patamar de autonomia às máquinas agrícolas.
A partir de 2027, tratores da Fendt deverão estar aptos a receber essa tecnologia, que permitirá um gerenciamento à distância de várias atividades agrícolas. O trator possuirá um pacote de equipamentos instalados no teto e outros componentes dentro da cabine e, por meio de um tablet, o operador de uma colheitadeira, quando a máquina estiver com o graneleiro cheio, poderá chamar remotamente o trator graneleiro para a transferência dos grãos colhidos.
Sem operador, o trator graneleiro encosta bem junto à colheitadeira para receber a descarga dos grãos já colhidos. Na sequência, com o mesmo tablet, o operador da colheitadeira envia o trator para a descarga dos grãos no caminhão, parado à beira da estrada. Tudo autonomamente, e sem operador no trator.
Esse sistema já está pronto e sendo testado, e a AGCO fez uma demonstração em um campo do IAC (Instituto Agronômico), em Campinas (SP), na quarta-feira (8). No Canadá e nos Estados Unidos, máquinas já estão rodando com esse sistema. Aqui no Brasil, porém, ainda não está definida a legislação para esse sistema autônomo. A empresa espera uma definição para breve.
“O nosso objetivo é que até 2030 esteja à disposição do produtor praticamente todas as operações de campo já operacionais no sistema. Não só o preparo de solo, mas também colheita, plantio e pulverização”, diz José Carlos Ferraz Bueno, diretor comercial da PTx para a América Latina.
Para cada operação do processo é um desafio, diz Bueno. A agricultura do Brasil é diferente da dos Estados Unidos e da feita na Europa. O produtor daqui também é diferente do dos Estados Unidos. Lá, o agricultor opera a própria máquina. Aqui, isso ocorre apenas do Paraná para baixo. Além disso, temos de tropicalizar os nossos produtos de acordo com a agricultura daqui.
No momento, a busca é por segurança, diz Fernando Compagnon, especialista de produto da PTx. “É importante destacar que qualquer coisa que transpor o trator, ele detecta e para”. Ele segue uma programação, e ela, quando mal planejada, é bloqueada pelo próprio sistema por mensagens de telas vermelhas no tablet, diz o especialista.
O sistema de conectividade do trator que sairá de fábrica é da Starlink. Mas a PTx disponibilizará o sistema, chamado de OutRun, também para tratores já em uso e de outras marcas e, neste caso, o sistema poderá ser 4G ou 5G.
Bueno diz que uma das grandes vantagens dessa tecnologia é o aumento de produtividade que o produtor terá. O sistema agiliza a atividade no campo, acelera colheita de soja e permite o plantio do milho dentro da janela ideal. Atualmente voltada para milho e soja, a empresa deverá trabalhar com todas as culturas, afirma ele.
Mas quando o produtor pagará por essa nova tecnologia? Por ora, a empresa diz que está operando um sistema pré-comercial e que ainda não tem um preço definido. Apesar de a venda do produto já estar disponível em outros mercados, como o dos Estados Unidos. A formação de preços lá é bem diferente, a começar pela carga tributária brasileira, que é de 30% a 35%, diz o diretor comercial da PTx.”
“Já estamos em um estágio bastante seguro, mas vamos continuar fazendo validações para estarmos prontos a partir do ano que vem”, diz Fabio Dotto, diretor de marketing da Fendt, empresa que terá o trator acoplado com a nova tecnologia. O lançamento comercial para algumas atividades deverá ocorrer em 2027.
A tecnologia será importante para o produtor porque ele terá mais eficiência, menores custos e melhor gestão da operação no campo, diz Dotto.
O TRATOR QUE FALA
O clima estará ideal para o plantio amanhã? Algo está errado, por que você parou? Qual a data da sua próxima revisão? A velocidade que estamos é apropriada?
Essas e outras perguntas poderão ser feitas pelo produtor dentro da cabine de seu trator, e um sistema de inteligência artificial e o de telemetria da máquina fornecerão as respostas. Além disso, o produtor poderá obter informações sobre o manual e publicações técnicas.
É uma ferramenta que ainda está sendo desenvolvida, e algumas das respostas, como qual o período ideal para o plantio, ainda poderão demorar. “É um sistema infinito em termos do que dá para extrair de informações com a telemetria e com a inteligência artificial”, diz Fabio Dotto, também diretor de marketing da Valtra.
É um sistema desenvolvido por uma empresa europeia e estará nos tratores da Valtra. Será mostrado na Agrishow deste ano, mas a tecnologia ainda não tem previsão de lançamento no mercado brasileiro.
O objetivo dessa tecnologia é trazer informações rápidas para o produtor e ajudá-lo a tomar decisões rapidamente, diz Dotto.
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