O que mais impressiona na documentação relacionada a óvnis divulgada nesta sexta-feira (8) pelo Pentágono, nos EUA, é o quanto ela não impressiona.
Vamos começar separando duas ideias. Uma, o Universo é gigante, e mesmo na nossa vizinhança cósmica devem existir muitos planetas com condições similares às da Terra, onde a vida poderia surgir e evoluir. Não é absurdo que alguns desses incontáveis lugares tenham desenvolvido civilizações tecnológicas e, eventualmente, o impulso e a capacidade de atravessar as gigantes distâncias interestelares. Basta aplicar o princípio copernicano para aceitar essa ideia com facilidade.
Outra ideia, muito mais difícil de engolir, é que estejamos sendo visitados constantemente por espaçonaves alienígenas e, por algum milagre, não se produzam evidências incontroversas dessas visitas. É como se alguém entrasse sorrateiramente na sua casa todas as noites, fuçasse nas suas coisas, e você nunca jamais pudesse provar que alguém esteve lá.
Claro, os ufólogos de plantão dirão que as evidências abundam, e vão dos relatos aos desenhos em plantações, passando por registros e perseguições militares. Uns mais ousados insistirão que há uma conspiração de acobertamento e que há naves e corpos alienígenas guardados secretamente em algum lugar.
Nada disso vem acompanhado de provas. Pelo contrário, até hoje nenhuma evidência conseguiu convencer os céticos de que de fato estamos sendo visitados. E, vamos e venhamos, se houvesse, não seria difícil convencê-los, pois todos eles assimilam com facilidade a primeira ideia que mencionamos, habilitadora da segunda.
Diante dessa situação, quanto mais esses arquivos são abertos, mais me convencem de que não há nada extraterrestre neles. Há sim um bocado de confusão, o desconhecimento natural sobre fenômenos atmosféricos exóticos e até uma certa arrogância em presumir que, no caso de artefatos tecnológicos, eles precisam ser alienígenas, pois, se as Forças Armadas americanas não têm algo igual, então isso não pode existir aqui na Terra. E, claro, se eles pressupõem alienígenas, há uma arrogância de outro tipo: a de que os ETs vêm até aqui só para vigiar o que os poderosos militares humanos andam fazendo. Soa paranoico, para dizer o mínimo.
Quanto mais eventos inexplicados temos, mais parece que a explicação de uma incursão extraterrestre não é a correta. Na falta de provas contundentes, é mais provável que você seja sonâmbulo do que alguém esteja invadindo sua casa todo dia para mexer nas suas coisas.
Os conspiracionistas entram em parafuso: quanto mais se divulga, mais eles se convencem de um acobertamento. Não ocorre a eles que a pouca disposição para divulgar possa ter mais a ver com o fato de que militares não gostam de admitir publicamente que têm coisas acontecendo em seu espaço aéreo (perigosas ou não) que eles não sabem o que são.
Moral da história: terminamos o dia como começamos, sem saber se os tais UAPs (nova terminologia, sigla inglesa para fenômenos anômalos não identificados) têm algo de alienígena. Legal que haja mais abertura do governo americano para apresentar seus “arquivos-X”. Mas vou gostar mesmo quando a mesma postura for adotada com os arquivos Epstein.
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