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Argentina: Compra de produtos estrangeiros aumenta 55% – 02/02/2026 – Economia

by Silas Câmara

Os argentinos estão comprando conjuntos de Lego, computadores Apple e garrafas térmicas Stanley do exterior, enquanto os esforços do presidente do país, Javier Milei, para abrir a economia fechada provocam uma enxurrada de produtos estrangeiros.

As importações totais de bens de consumo aumentaram 55% em 2025 em relação ao ano anterior, atingindo um recorde de US$ 11,4 bilhões (R$ 59,74 bilhões), de acordo com dados oficiais.

Os argentinos também compraram cerca de três vezes mais produtos do exterior por meio de plataformas de comércio eletrônico internacional em 2025 do que em 2024, atingindo recorde de US$ 955 milhões, à medida que empresas como Amazon, Shein e Temu ganharam espaço no país.

O aumento ocorre enquanto Milei reduz tarifas e uma série de restrições às importações introduzidas por governos anteriores para proteger as indústrias domésticas, o que tornava os produtos estrangeiros raros e caros na Argentina.

Um conjunto Lego retratando Harry Potter em um carro voador, o computador Mac Mini 2024 da Apple e um copo térmico da Stanley de 940 ml estavam entre os produtos mais vendidos na Argentina no ano passado na Tiendamia, site de comércio eletrônico latino-americano.

“As vendas na Argentina aumentaram 55% ano a ano em 2025”, afirmou Santiago García Milán, gerente nacional da Tiendamia.

Em novembro de 2024, Milei elevou o limite de valor para remessas de courier de US$ 1.000 para US$ 3.000, e permitiu que as pessoas importassem até US$ 400 em mercadorias livres de tarifas por ano.

As mudanças impulsionaram as vendas através de plataformas de comércio eletrônico onde os consumidores encomendam produtos diretamente do exterior, que continuam sendo um nicho na Argentina apesar do crescimento durante a pandemia e a crise inflacionária do país entre 2022 e 2023.

“Costumava haver um grande risco de que seu pedido do exterior ficasse preso na alfândega e nunca chegasse”, disse Natacha Izquierdo, diretora da consultoria econômica Abeceb. “Agora tudo flui, então você está vendo um grande salto —embora a partir de uma base muito pequena.”

Os níveis gerais de importação da Argentina permanecem muito abaixo dos pares regionais, avaliou Izquierdo.

A Amazon lançou um serviço gratuito de entrega dos EUA para a Argentina no final de 2024 para capitalizar as reformas de Milei. Em novembro passado, adicionou o país ao seu aplicativo de compras de “custo ultra baixo”, o Amazon Bazaar.

Shein e Temu fizeram suas primeiras grandes vendas na Argentina em 2025, em meio a uma duplicação ampla das importações de bens de consumo da China, para US$ 1,9 bilhão. As redes sociais argentinas foram inundadas com influenciadores exibindo suas primeiras compras da Shein e Temu. Uma loja de revenda da Shein foi aberta em Buenos Aires no ano passado.

Sites internacionais de comércio eletrônico oferecem produtos mais numerosos e mais baratos do que os varejistas locais, que são prejudicados pelos altos custos de produção e impostos da Argentina.

Garrafas térmicas Stanley, que os argentinos usam para consumir o mate, bebida nacional do país, são oferecidas por cerca de 45% menos na Tiendamia do que na loja oficial local da marca, por exemplo.

A indústria têxtil argentina, que anteriormente estava protegida da concorrência internacional por altas tarifas, pediu ao Congresso que legisle contra a concorrência desleal dos grupos de comércio eletrônico chineses. O setor perdeu 16 mil empregos, ou 13% de sua força de trabalho, desde que Milei assumiu o cargo, segundo o grupo de lobby Federação das Indústrias Têxteis Argentinas.

A chegada das empresas chinesas à Argentina também provocou conflito com o gigante latino-americano do comércio eletrônico Mercado Livre, que domina o setor na Argentina e cujo fundador, Marcos Galperin, é o homem mais rico do país e um dos apoiadores mais vocais de Milei.

O Mercado Livre apresentou uma queixa ao ministério da economia em agosto passado, acusando a Temu de se envolver em “publicidade enganosa” e “práticas comerciais desleais”. A Temu negou as alegações e espera-se agora que a Suprema Corte da Argentina assuma o caso.

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