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Expansão do Universo já está desacelerando, diz estudo – 09/11/2025 – Mensageiro Sideral

by Silas Câmara

Faz quase um século que descobrimos que vivemos em um Universo em expansão. Primeiro, achávamos que essa expansão deveria estar freando. Depois, no fim dos anos 1990, descobrimos que estava acelerando. E agora começam a se formar evidências de que ela segue acelerada, mas reduzindo seu ritmo. A última novidade vem de um artigo fascinante publicado por um quinteto de cosmólogos sul-coreanos da Universidade Yonsei, em Seul.

A coisa toda tem a ver com as supernovas tipo Ia, explosões estelares que acontecem quando um cadáver estelar sequestra gás de um astro vizinho até atingir massa crítica. Elas são tratadas como “velas padrão”, o que as torna ferramentas ideais para estimar a distância (quanto mais distantes, menor o brilho aparente).

Combinando isso com a medição do desvio para o vermelho da luz das galáxias onde elas residem (a luz delas se avermelha no trajeto até aqui porque a própria expansão do espaço durante a travessia aumenta seu comprimento de onda), é possível medir a taxa de expansão ao longo da história do Universo, desde o Big Bang.

Foi com as supernovas, por sinal, que em 1998 os astrônomos notaram que o Universo, nos últimos 5 bilhões de anos, pareceu ter entrado em uma fase acelerada da expansão. A única forma de explicar isso foi evocar a existência de uma energia escura capaz de agir contra a gravidade.

Supôs-se de início que ela agisse como a constante cosmológica originalmente proposta por Einstein, consolidando um modelo padrão que perdurou como a última palavra por três décadas. Mas agora algumas rachaduras começaram a aparecer nele.

Graças à precisão dos dados colhidos pelo projeto Desi (Dark Energy Spectroscopic Instrument), no início de 2025 surgiram evidências (ainda não conclusivas) de que a energia escura não parece se comportar como uma constante, mas está enfraquecendo com o passar do tempo. Logo, em algum ponto do futuro, ela perderia vantagem sobre a gravidade e a expansão seria desacelerada.

Aí veio a novidade introduzida por Junhyuk Son e seus colegas no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Aparentemente esse futuro já chegou: a desaceleração já teria começado.

Eles voltaram à questão das supernovas Ia, ajustando sua análise para refletir o fato de que elas não têm exatamente o mesmo brilho. Estudos de galáxias contendo supernovas indicam que ele varia dependendo da idade da galáxia progenitora. A partir disso, reajustaram a tabela de supernovas e a combinaram com outras medições que ajudam a compreender a expansão do Universo, como a radiação cósmica de fundo e as chamadas oscilações acústicas de bárions (padrões de flutuação da distribuição da matéria no cosmos primordial).

Juntando tudo, concluíram que a evolução da energia escura é mais rápida do que sugeriam os dados do Desi e que já devemos estar na fase de desaceleração, há uns 2 bilhões de anos.

Isso reforça a ideia de que o Cosmos, em contraste com modelo padrão, não terminará em expansão eterna. E mais: as fases de desaceleração e eventual contração virão mais depressa do que se poderia supor. Ainda levará muitos bilhões de anos –não é uma preocupação. Só uma intrigante constatação de que podemos, com o poder da ciência, mesmo limitados pela época em que vivemos, acabar contando a história completa do Universo, do Big Bang ao Big Crunch.

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