O grande diferencial do Chevrolet Captiva EV não está no espaço interno ou na autonomia real de aproximadamente 400 km —pontos que o igualam aos demais concorrentes em sua faixa de preço. O número que importa aqui se refere à rede de concessionárias.
No quesito disponibilidade, as 480 lojas da General Motors no Brasil colocam seu lançamento à frente dos concorrentes Geely EX5 (a partir de R$ 205,8 mil), GAC Ayon V (R$ 219.990), Omoda E5 (R$ 209.990) e Leapmotor C10 BEV (R$ 204.990).
O novo Chevrolet está à venda no mercado nacional por R$ 199.990 na versão única Premier. Com 4,74 metros de comprimento, o modelo acomoda bem cinco ocupantes, mas o tamanho do porta-malas não é proporcional ao da cabine. Seus 403 litros de capacidade o colocam abaixo dos concorrentes nacionais com motorização flex.
Em movimento, os 201 cv gerados pela motorização elétrica e seu torque imediato dão agilidade ao utilitário, que pesa 1.800 quilos. Não é muito mais que o antigo Captiva, vendido no Brasil entre 2008 e 2017. A versão 2.4 16V (184 cv) chegava a 1.742 quilos.
No passado, o modelo era movido a gasolina em um mercado cuja tecnologia flex já estava consolidada. O consumo não era dos melhores, bem diferente da eficiência atual, em que o custo da energia proporciona menor gasto por quilômetro rodado.
Apesar das diferenças, a GM optou pelo nome Captiva por já ser familiar para o consumidor brasileiro. Na China, o SUV elétrico se chama Wuling Starlight S.
A chegada ao Brasil inclui pequenas mudanças de estilo, com a colocação da gravatinha da Chevrolet no lugar do “W” estilizado da marca chinesa. A origem, contudo, faz o modelo parecer mais com seus pares orientais do que com os elétricos desenvolvidos pela montadora nos EUA.
A GM apostou alto com a plataforma Ultium, que incorpora um pacote de baterias de alta densidade. A autonomia dos modelos que usam essa arquitetura pode superar os 500 km, mas o custo elevado afasta o consumidor.
Um exemplo é o Equinox EV: embora seja maior que o Captiva, seu preço sugerido de R$ 349.990 o torna desinteressante.
A Ultium deve sobreviver no Brasil a bordo dos luxuosos modelos elétricos da Cadillac, que estreiam em breve. Já a batalha pelo volume caberá aos GM chineses, que serão nacionalizados.
Da mesma forma que ocorre com o Spark, o Captiva EV será montado no Polo Automotivo do Ceará, em Horizonte. Os componentes virão da China na primeira fase, mas há planos para uma rede local de fornecedores.