As ações da Petrobras subiram até 5% nesta segunda-feira (2) devido à guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã no Oriente Médio. O conflito impulsiona o setor de petróleo como um todo, com papéis de outras petroleiras brasileiras, como Prio e Brava Energia, registrando ganhos.
Por volta das 12h44, as ações preferenciais da Petrobras avançavam 4,09%, cotadas a R$ 40,95 —o papel dá prioridade no recebimento de dividendos, mas não confere direito a voto. Na máxima do pregão, chegaram a R$ 41,53, alta de 5,59%.
A Prio e a Brava Energia subiram até 6,68% e 4,98% nas máximas do dia, respectivamente.
O conflito pressiona os preços do petróleo, diante do temor de reduções na oferta da commodity, o que sustenta as cotações.
Para Adam Hetts, diretor global de multiativos e gestor de portfólio da Janus Henderson, os receios de uma paralisação prolongada do tráfego no estreito de Hormuz repercutem no mercado. “O Estreito de Hormuz é um gargalo no transporte de petróleo no Oriente Médio, por onde passa aproximadamente 20% do suprimento mundial”, afirmou.
O Brent, referência global, disparou até 13% na abertura do mercado internacional neste domingo (1º), chegando a US$ 81,89 (R$ 420,46) no contrato de maio. É o maior valor intradiário desde 22 de junho de 2025, quando atingiu US$ 81,40.
Relatório do Banco BTG Pactual destaca que “a redução do tráfego de embarcações, o aumento dos custos de seguro e o maior risco de navegação estão comprimindo a oferta disponível no curto prazo e incorporando um prêmio geopolítico ao Brent. A duração do conflito será determinante para a magnitude dos efeitos”.
Os riscos para a navegação comercial dispararam nas 24 horas após os ataques. Mais de 200 navios —incluindo petroleiros e embarcações de gás natural liquefeito— ancoraram nas imediações do estreito de Ormuz e em águas próximas, segundo dados de tráfego marítimo.
O conflito escalou no último sábado (28), quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã de surpresa, em ação que mirou a cúpula do governo e das Forças Armadas do país. Segundo relatos, os bombardeios mataram o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, além de deixarem centenas de mortos em outras regiões.
Em resposta, o regime iraniano atacou portos e bases dos EUA nos Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Omã e Kuwait. O Hezbollah entrou no conflito, e Israel também bombardeou o Líbano.