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Guerra no Irã: Preço do petróleo afeta companhias aéreas – 05/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

Ações de companhias aéreas americanas e europeias caíram nesta quinta-feira (5) após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã abalarem a aviação global, elevando os preços do petróleo. Ações de algumas empresas asiáticas foram impulsionadas pela retomada provisória de alguns voos para o Oriente Médio.

Governos correram para organizar voos de saída do Oriente Médio para dezenas de milhares de cidadãos presos pelo conflito, que fechou a maior parte do espaço aéreo da região devido ao risco de ataques com mísseis.

As decolagens do Aeroporto Internacional de Dubai mais que dobraram na quarta-feira (4), segundo os dados mais recentes do Flightradar24. A atividade está sendo lentamente retomada no hub de viagens mais movimentado do mundo, que havia praticamente parado em meio ao conflito.

O tráfego permaneceu muito abaixo dos níveis normais, e as interrupções na aviação global devem levar tempo para normalizar, já que o conflito não dá sinais de arrefecimento. O transporte aéreo de cargas também foi afetado.

“Os últimos dias foram sem precedentes”, disse o CEO da Dubai Airports, Paul Griffiths, nesta quinta em publicação no LinkedIn.

As ações de companhias aéreas têm sido duramente atingidas desde o início dos ataques, devido a temores de fechamentos prolongados de rotas e custos mais altos de combustível. Os preços do combustível de aviação dispararam globalmente.

As companhias aéreas americanas têm exposição limitada às rotas do Oriente Médio, e o conflito não forçou o tipo de paralisação de redes que afeta as empresas sediadas no Golfo. Mas os preços mais altos de combustível são um risco para os balanços.

O combustível é tipicamente a segunda maior despesa das companhias aéreas americanas, depois da mão de obra, e muitas delas não fazem mais hedge, deixando-as mais vulneráveis a picos de preços.

Sem hedge, as companhias aéreas precisam aumentar as tarifas para compensar os custos mais altos. Mas as passagens são frequentemente vendidas com semanas ou meses de antecedência, então as empresas precisam absorver picos repentinos no curto prazo. Se conseguirão aumentar os preços depois depende da demanda, e as companhias aéreas têm sinalizado dificuldades entre viajantes mais sensíveis a preços.

Também em um golpe para companhias aéreas, o preço do combustível de aviação pode subir mais rápido que o do petróleo bruto quando ocorrem situações como paralisação de refinarias, interrupção de embarques, alta de custos de seguro e redução de oferta regional.

“Esperamos que março afete a lucratividade das companhias aéreas [americanas] devido ao salto inesperado nos preços dos combustíveis”, disse Nicolas Owens, analista de ações da Morningstar.

Ações da Southwest Airlines, American Airlines, Delta Air Lines, United Airlines e Alaska Air Group caíram entre 5% e 9% nas negociações desta tarde. O índice mais amplo NYSE Arca Airline recuou 6%.

Na Europa, a Air France fechou em baixa. Lufthansa, British Airways e a companhia de baixo custo Ryanair também caíram.

A Wizz Air, que sinalizou um impacto de US$ 58 milhões no lucro devido ao conflito, caiu 9%. O CEO Jozsef Varadi disse à Reuters que o impacto deve se limitar ao ano fiscal que termina neste mês e acrescentou que a empresa está redirecionando capacidade para a Europa.

A Fitch Ratings disse que a maioria das companhias aéreas europeias e do Oriente Médio mantém níveis relativamente altos de hedge de combustível, com cobertura para os próximos três meses variando de cerca de 50% a mais de 80%.

Algumas ações asiáticas se recuperaram. Cathay Pacific Airways, Qantas Airways e Korean Air Lines subiram, enquanto Japan Airlines recuou ligeiramente.

Grandes companhias aéreas chinesas como Air China, China Eastern Airlines e China Southern Airlines caíram entre 1,5% e 4% tanto em Hong Kong quanto em Xangai.

Gary Ng, economista sênior da Natixis, afirmou que as companhias aéreas asiáticas são sensíveis à situação do Irã dado o impacto nas rotas, receitas e custos.

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