Uma pesquisa encomendada pelo iFood registra que 67% dos clientes que hoje compram comida por aplicativos reduziriam seus pedidos caso os valores subam. Outros 15% dos consumidores afirmam que deixariam as plataformas caso houvesse aumento no preço final.
Para os consumidores ouvidos pela consultoria de dados PiniOn, em fevereiro, o que mais pesa na escolha hoje é o valor final do pedido e o valor das taxas, sendo que os intervalos de taxas de entrega mais aceitáveis entre os respondentes varia entre R$ 4,99 e R$ 8,49.
Somente 5% dos consumidores aceitariam pagar valores acima dos R$ 12 na taxa de entrega.
Os dados devem servir como base para a estratégia de debate das plataformas nas discussões sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos. Um dos pontos discutidos no Congresso envolve a implementação de um valor mínimo destinado aos entregadores. Não há consenso nas discussões, mas o valor pode chegar a R$ 10 por entrega com R$ 2,50 por km adicional.
Segundo o levantamento da PiniOn, somente 16,4% dos consumidores manteriam a frequência de uso caso os pedidos encareçam.
Hoje, 56,4% dos clientes que já desistiram de finalizar os pedidos nas plataformas indicam que o preço final foi o componente principal, sendo que a taxa de entrega foi indicada como uma das principais travas.
A consultoria ouviu 1.533 consumidores de todas as regiões do país e descobriu que 35,2% dos respondentes gostariam de pedir mais pelas plataformas de delivery. Desse grupo, 64,2% apontam motivos financeiros como razão para não pedirem com a frequência desejada.
Neste sentido, mais promoções e descontos, frete grátis e preços mais baixos nos estabelecimentos foram apontados como fatores de aumento do uso dos apps.
O iFood avalia que o aumento do valor dos pedidos não se traduz em maior renda para o entregador, mas pode gerar ociosidade e perda de postos de trabalhos digitais. Além disso, existe o entendimento de que o serviço possa ficar mais elitizado, com maior desistência de pedidos por parte da classe C, que hoje já é mais intolerante a pagar taxas altas.
Um detalhe curioso do levantamento é a divisão por espectro político: entre os consumidores de esquerda, a maior parte aceita pagar valores entre R$ 4,99 e R$ 8,49 nos pedidos atualmente, porém somente 3,5% aceita valores acima dos R$ 12 —o menor entre os respondentes.
Entre os eleitores de direita, o maior destaque é a parcela que não paga taxa de entrega (19,8%). Nas faixas intermediárias, os índices são semelhantes aos da esquerda, e 5,6% afirmam pagar mais de R$ 12.
PAGAMENTOS PARCELADOS
Outro levantamento do iFood indicou que os pagamentos parcelados via cartão de crédito na plataforma entre os meses de dezembro e janeiro mais do que duplicaram em relação aos dois meses anteriores, chegando a 1,3 milhões de pedidos.
Inicialmente, o iFood Pago estava disponível para compras de mercados e farmácias, mas foi ampliado para os restaurantes. A companhia afirma que a modalidade reforçou a ideia de necessidade de crédito por parte dos consumidores, que têm por hábito a diluição de custos para viabilizar compras e manter o equilíbrio do planejamento financeiro mensal.
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