O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, tem uma frase para comentar os números do banco em 2025:
“Vou apresentar o balanço de fraque.”
Pelos dados que serão divulgados nesta terça-feira (17) e que a coluna teve acesso, o banco teve, entre outubro e dezembro, carteira de crédito de R$ 664 bilhões. É o maior nível da instituição desde 2016, crescimento de 13,4% em 2025.
O caixa do BNDES chegou a R$ 61 bilhões, incremento de 281% desde 2022. Os ativos totais ficaram em R$ 961 bi, seu recorde em volume nominal. A coluna teve acesso aos números.
Sobre a carteira de crédito do BNDES ter chegado a R$ 664 bi, como o banco cresce em ambiente de juros elevados? De forma sustentada e com instrumentos inovadores, nossa carteira de crédito cresceu 39% em relação a 2022, e com a menor inadimplência do sistema financeiro. A retomada do crédito tem sido fundamental para a economia que, neste governo Lula, tem crescimento médio de 3% ao ano. O BNDES está no coração dessa estratégia, com a retomada do papel histórico de grande formulador de políticas públicas e instrumento de financiamento de projetos estruturantes. A Selic a 15% encarece o crédito e impacta investimentos. Mesmo assim, avançamos porque inovamos.
O caixa próprio pulou para R$ 61 bi em 2025. Isso é sinal de solidez ou é acúmulo de recursos que financiariam projetos produtivos? O projeto do governo anterior passava por apequenar e, se possível, acabar com o BNDES. Assumimos a gestão com caixa livre de apenas R$ 16 bi, ante um caixa de R$ 90 bi no início de 2022. Os R$ 16 bi representavam menos de 2 meses de desembolsos na época e apenas R$ 1 bi acima do mínimo obrigatório, nível operacionalmente perigoso. Em parceria com Tesouro e TCU, renegociamos a antecipação de pagamentos. Hoje, temos um caixa necessário para o programa de crédito e investimentos em equity nos próximos anos.
Inadimplência baixa pode sinalizar eficiência na seleção de projetos, mas não pode ser vista como renovação de dívidas das empresas? O aumento dos ativos se deve ao crescimento da nossa carteira de crédito diversificada e de alta qualidade. Os projetos da indústria cresceram 57% frente a 2022. Foi o setor líder em crescimento nas aprovações. Batemos recordes históricos no apoio à inovação, com R$ 35,6 bi, R$ 56 bi para exportações, R$ 9 bi para saúde e R$ 13,3 bi para biocombustíveis. Na Nova Indústria Brasil, já aprovamos R$ 300 bi e vamos chegar a R$ 370 bi até dezembro.
O banco recuperou R$ 278 bi em ativos. Esse crescimento teve qual base de funding? Atualmente, 62% das aprovações do BNDES se dão a taxas de mercado. Construímos novos instrumentos que reduzem a dependência do FAT. O BNDES tem fontes de funding diversificadas, que permitem o desenho de novos instrumentos adequados à conjuntura fiscal. O principal motor do funding é o próprio retorno da carteira de crédito, que devolve ao banco em amortizações, juros e liquidações.
São Paulo teve os maiores volumes de aprovações: R$ 58,8 bi. Isso não reforça concentração econômica? A desconcentração regional é marca desta gestão. O BNDES chega em 94% dos municípios. No Nordeste, aprovações de crédito cresceram 12,7% em comparação com todo o governo anterior. Crescimento expressivo de 63% na indústria e de 146% na agropecuária. Em 2025, fizemos a maior chamada para projetos para indústria da história: 189, que somam R$ 113 bi. No Norte, aumento de 108% nas aprovações.
Como é possível garantir que as decisões de crédito em 2026, ano eleitoral, serão guiadas por critérios técnicos? Todas as grandes obras de infraestrutura em andamento no estado de SP foram viabilizadas pelo BNDES: Rodoanel, Nova Dutra, Trem Intercidades Campinas-SP, linha 6 do metrô, aeroporto de Congonhas. Nossa expectativa era de que houvesse reconhecimento do esforço e da atuação republicana e da qualidade do BNDES. Infelizmente, essa não tem sido a contrapartida do governador de São Paulo [Tarcísio de Freitas] e de alguns outros governadores de oposição em relação ao governo do presidente Lula.
Raio-X
Aloizio Mercadante, 71
1954, Santos. É economista formado pela USP. Um dos fundadores do PT, foi deputado federal por dois mandatos (1991-1995 e 1999-2003) e senador (2003-2011). Foi ministro-chefe da Casa Civil, ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação e ministro da Educação no governo Dilma Rousseff (2011-2016)
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