Os preços do petróleo abriram em alta neste domingo (15), com as negociações embaladas por dúvidas em relação à navegação pelo estreito de Hormuz, na costa do Irã, e a um acordo entre os Estados Unidos e o país do Oriente Médio para encerrar a guerra.
O barril do Brent, referência internacional, começou as negociações na Ásia em valorização de 2,5%, cotado a US$ 105,6 às 19h40 (horário de Brasília). O WTI (West Texas Intermediate), referência dos Estados Unidos, subia 3%, cotado a US$ 101,52.
A commodity ultrapassou o patamar de US$ 100 na quinta-feira (12) e fechou cotada a US$ 103,82 na sexta (13), quando temores de uma disrupção prolongada nos mercados de energia tomaram as mesas de operação.
O movimento ocorre após uma série de declarações de autoridades norte-americanas e iranianas sobre o conflito ao longo do final de semana.
No sábado (14), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o estreito de Hormuz está aberto para todos –exceto para aliados dos Estados Unidos.
Já autoridades dos EUA, respondendo à incerteza econômica causada pelos preços do petróleo, disseram nesta domingo que a guerra terminaria em semanas e seria seguida por uma queda nos custos de energia, apesar da afirmação do Irã de que permanece estável, forte e pronto para se defender.
O presidente Donald Trump ameaçou repetir ataques ao principal centro de exportação de petróleo do Irã, a ilha de Kharg, neste fim de semana e disse que não está pronto para chegar a um acordo para encerrar a guerra, que fechou o estreito de Hormuz e abalou os mercados globais.
O canal, um corredor marítimo estreito entre Irã e Omã, é uma importante via do mercado de energia: por ele passam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados em todo o mundo. Desde o início da guerra, a commodity subiu cerca de 40%, enquanto as Bolsas pelo mundo caíram cerca de 5%.
A travessia estaria bloqueada “apenas para petroleiros e navios de inimigos e os aliados deles”, afirmou Araghchi para a mídia estatal iraniana. “Os outros navios têm passagem livres, mas podem optar desviar por questões de segurança”, acrescentou.
“Ainda há muitos petroleiros e navios que estão passando pelo estreito”, disse o chanceler.
O governo Trump planeja anunciar nesta semana que vários países concordaram em formar uma coalizão para escoltar navios através da passagem marítima, mas ainda estão discutindo se essas operações começariam antes ou depois do fim das hostilidades, segundo o Wall Street Journal.
A capacidade de Teerã de bloquear o tráfego pelo estreito tem pressionado os Estados Unidos e países aliados por causa das implicações no mercado de energia. Uma disrupção prolongada no fornecimento e na produção de petróleo poderia elevar os preços do barril a patamares semelhantes aos de outros grandes choques de oferta, como a guerra da Ucrânia e até a crise financeira de 2008.
Menos de 80 navios atravessaram o estreito desde o início da guerra, de acordo com levantamento da empresa britânica de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence. No mesmo período no ano passado, haviam sido registrados 1.229 trânsitos, o que mostra uma redução de 93,7.
Em um período da alta volatilidade, o barril chegou a bater US$ 120 na semana passada, valor mais alto dos últimos quatro anos, antes de recuar para cerca de US$ 90 e se estabelecer acima dos US$ 100 na sexta-feira (13). Analistas do setor esperam que os preços continuem subindo à medida que a guerra no Irã se alonga.
Atentos às disparadas do barril e possíveis consequências para a economia global –como um repique inflacionário por causa da alta dos preços dos combustíveis–, alguns países têm feito esforços nas frentes de diplomacia e de logística.
Donald Trump convocou no sábado outros países a enviar navios de guerra para manter o estreito de Hormuz aberto à navegação. Eçe citou China, França, Japão, Reino Unido e Coreia do Sul como parceiros instados a enviar navios para a região.
Do ponto de vista de logística, a AIE (Agência Internacional de Energia) disse neste domingo que vai começar a liberar petróleo de reservas emergenciais em breve com os países membros se comprometendo a disponibilizar 411,9 milhões de barris.
Destes, 271,7 milhões virão de estoques governamentais, 116,6 milhões dos estoques obrigatórios do setor e 23,6 milhões de outras fontes. A AIE acrescentou que 72% das liberações planejadas são na forma de petróleo bruto e 28% são derivados de petróleo.
Os estoques dos países da Ásia e Oceania estarão disponíveis imediatamente e os estoques da Europa e das Américas estarão disponíveis no final de março.
Não há impacto concreto nos preços até o momento. Para analistas, a medida é vista como um paliativo. “Na linguagem das mesas de operações, a liberação da AIE é o equivalente a apontar uma mangueira de jardim para um incêndio em uma refinaria”, comentou Stephen Innes, da SPI Asset Management.
A liberação proposta equivale a quatro dias de produção global e 16 dias do volume de petróleo que transita pelo golfo pérsico, estimaram analistas da Macquarie.
Com Financial Times e Reuters