O Santander Brasil trocará de comando em julho deste ano, anunciou o banco nesta quinta-feira (19). Mario Leão deixará a presidência, que ficará sob a liderança de Gilson Finkelsztain, atual CEO da B3.
Finkelsztain já havia sido chamado no passado para o conselho do Santander Brasil, mas não chegou a assumir. Segundo a B3, o executivo seguirá como CEO até o fim do primeiro semestre, “assegurando a adequada transição de suas responsabilidades e a continuidade das operações e da execução da estratégia da companhia.”
Ele é CEO da B3 desde 2017. Em sua gestão, as ações da B3 saltaram 260%. Neste meio tempo, a Bolsa viu uma reentrada de investidores pessoa física, especialmente na pandemia, com a queda da Selic à mínima histórica. Hoje, são mais de 6 milhões de CPFs na B3. Em 2025, a companhia teve um lucro líquido recorrente de R$ 5,12 bilhões.
Antes de comandar a Bolsa, Finkelsztain trabalhou em cargos relacionados aos mercados de câmbio, renda fixa, renda variável e commodities na antiga Cetip, que hoje faz parte da B3, no J.P. Morgan, no Citibank, no Bank of America Merrill Lynch e no próprio Santander, onde ficou de 2011 a 2013.
“Nosso foco será transformar a base sólida em entregas relevantes para clientes, acionistas e para a sociedade. O Brasil é um mercado de grandes oportunidades e estou entusiasmado com o potencial do que podemos construir nos próximos anos”, afirma Finkelsztain em comunicado do banco.
“Estamos contentes em receber Gilson de volta ao Santander. Sua experiência e reconhecimento no setor financeiro brasileiro o tornam bem qualificado para liderar a próxima fase de crescimento neste mercado tão relevante”, afirma Ana Botín, presidente executiva do Banco Santander, em comunicado.
Leão irá comandar a transição, passando o bastão em definitivo no segundo semestre. Segundo pessoas próximas ao banco, o executivo teria pedido para deixar a instituição no início deste ano. Desde então, a matriz do Santander, na Espanha, passou a procurar um sucessor.
“Nossa organização atingiu um nível de maturidade que permite conduzir este processo sucessório de forma estruturada e planejada, em um momento bastante oportuno. Isso garantirá a continuidade da execução da nossa estratégia por meio de uma equipe que tenho orgulho de ter liderado. Estou muito feliz com o ciclo que vivi aqui, com tudo o que evoluímos e conquistamos, e com o que virá pela frente”, afirma Leão.
O executivo trabalha no Santander há onze anos, sendo cinco como presidente. Antes de ser CEO, foi vice-presidente e diretor dos segmentos corporate (grandes empresas) e investment banking (banco de investimento). Anteriormente, teve cargos de liderança no Morgan Stanley, Goldman Sachs e Citi.
Em sua gestão, que sucedeu Sergio Rial, Leão focou a retomada de rentabildiade do banco, que caiu com a alta inadimplência ao fim da pandemia. Para isso, o Santander passou a priorizar clientes de maior renda e menos risco.
O ativo do banco subiu de R$ 931,2 milhões em 2021 para R$ 1,27 bilhão em 2025, uma alta de 36,4%.
O banco teve um lucro líquido gerencial de R$ 15,615 bilhões em 2025, segundo o último balanço divulgado. O valor representa uma alta de 12,6% em relação ao resultado de 2024 e ficou perto do esperado pelo mercado —analistas consultados pela Bloomberg previam um ganho de R$ 15,58 bilhões.
A inadimplência do banco ainda segue acima do índice visto na gestão anterior. Os atrasos acima de 90 dias eram 2,7% dos empréstimos em 2021 e 3,7% em 2025. A rentabilidade do banco mensurada pelo ROAE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Médio) também segue abaixo, a 17,2%. Em 2021, era 21,2%. Na gestão Leão, até o momento, as ações do banco sobem apenas 5,74%.
Em fevereiro, o Santander anunciou outra mudança, a transferência de sua sede corporativa para um novo prédio na região do Itaim Bibi, zona sul de São Paulo. De acordo com o banco, a nova unidade vai abrigar suas operações a partir do segundo semestre de 2028.
RAIO-X SANTANDER BRASIL | 2025
Lucro líquido: R$ 15,6 bilhões
ROAE: 17,2%
Funcionários: 49.661
Agências e pontos de atendimento: 1.685
Clientes: 73,9 milhões
Fundação: em atividade no mercado local desde 1982
Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa, Nubank