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Gigantes debateram fusão que uniria Hellman’s e Heinz – 20/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

Kraft Heinz e Unilever discutiram recentemente uma megafusão de suas marcas de alimentos que teria reunido o ketchup Heinz e a maionese Hellmann’s sob o mesmo teto, enquanto os gigantes de bens de consumo lutam para remodelar seus portfólios e atender à mudança de hábitos dos consumidores.

As negociações sobre a fusão já foram encerradas. As conversas entre as empresas nos últimos meses tratavam de uma fusão do negócio de alimentos da Unilever com a divisão de condimentos da Kraft Heinz, segundo pessoas familiarizadas com o tema.

Uma combinação teria criado um novo grupo avaliado em dezenas de bilhões de dólares.

A exploração de uma fusão evidencia o quanto tanto a Kraft Heinz quanto a Unilever estão enfrentando dificuldades diante da demanda enfraquecida de consumidores cada vez mais preocupados com a saúde, que estão repensando seus gastos com marcas de alimentos embalados.

Na última década, a Unilever gradualmente se afastou do setor alimentício em direção às marcas de beleza e cuidados pessoais. O grupo, que ainda é dono da Marmite e da Knorr, desmembrou suas divisões de cremes vegetais, chás e sorvetes.

O novo CEO da Unilever, Fernando Fernández, não descartou a possibilidade de se desfazer de todo o negócio de alimentos da empresa anglo-holandesa quando questionado sobre suas intenções em dezembro de 2025. A empresa está em processo de venda de até US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bi) em marcas menores de alimentos, deixando a Hellmann’s e a Knorr representando cerca de 75% da divisão.

Analistas da Jefferies estimam o valor de um negócio de alimentos independente da Unilever entre US$ 36 bilhões (R$ 188 bi) e US$ 37 bilhões (R$ 193,2 bi).

A Kraft Heinz, que tem enfrentado dificuldades desde a fusão histórica orquestrada por Warren Buffett e a 3G Capital —do trio brasileiro Jorge Paulo Lemann, Marcel Herrmann Telles e Carlos Alberto Sicupira—há uma década, também está no meio de sua própria mudança de estratégia.

As conversas com a Unilever ocorreram antes de a empresa americana interromper planos de uma separação de marcas em fevereiro. A decisão veio acompanhada do compromisso de investir US$ 600 milhões (R$ 3,1 bi) em uma reestruturação sob o comando do CEO Steve Cahillane, que assumiu o cargo em janeiro.

A divisão planejada teria separado os produtos básicos de supermercado (de crescimento mais lento), como as carnes Oscar Mayer e os kits de refeição Lunchables, do negócio de molhos, cremes e temperos (de crescimento mais rápido), que abriga o ketchup Heinz e o queijo Philadelphia. A Kraft Heinz também vende maionese sob as marcas Kraft e Heinz.

Cahillane disse em fevereiro que estava focado em fazer a Kraft Heinz voltar a crescer organicamente, o que daria à empresa uma gama mais ampla de opções para remodelar seu portfólio no próximo ano.

À medida que os consumidores se afastam de alimentos processados ou migram para marcas próprias de supermercados, os grupos de bens de consumo estão tentando se reorientar.

A Unilever no ano passado separou sua divisão de sorvetes em uma entidade independente e adquiriu marcas de crescimento mais rápido, como a Dr Squatch, de produtos de higiene masculina.

Unilever e Kraft Heinz se recusaram a comentar.

Colaboraram Madeleine Speed em Londres e Gregory Meyer em Nova York

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