Os Estados Unidos concederam nesta sexta-feira (20) uma autorização de 30 dias para a entrega e venda de petróleo bruto e derivados de petróleo de navios carregados com óleo do Irã, de acordo com o Departamento do Tesouro dos EUA.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que a licença vale apenas para petróleo que já está em trânsito e não permite novas compras ou produção. “Ao liberar temporariamente essa oferta existente para o mundo, os Estados Unidos colocarão rapidamente aproximadamente 140 milhões de barris de petróleo nos mercados globais”, acrescentou Bessent em um post na rede social X.
Ele afirmou que a medida “usa barris iranianos contra Teerã” para conter preços. A licença segue uma suspensão semelhante de sanções sobre petróleo russo em alto-mar. A autorização também não se aplica a entregas de petróleo para Cuba, Coreia do Norte ou áreas da Ucrânia ocupadas pela Rússia.
A medida é adotada após mais uma disparada de preços da commodity por causa da guerra no Irã. Nesta quinta (19), o barril Brent, referência global, atingiu US$ 119 pela segunda vez após o início do conflito após ataques de Israel ao campo de gás de Pars Sul, responsável por 70% da produção de GNL (gás natural liquefeito) no Irã, seguido do revide iraniano com bombardeios à refinaria de Ras Laffan, no Qatar, que fornece 20% da produção mundial de GNL.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que exigiu que o governo israelense não voltasse a atacar Pars Sul, mas ameaçou que contra-atacaria eventuais ataques do Irã às instalações do Qatar. Após a declaração, os preços diminuíram e a situação prosseguiu nesta sexta, já que não houve novos registros de ataques aos campos de gás.
Apesar da promessa, Trump reforçou as tropas para uma eventual invasão terrestre no Irã ao enviar um segundo grupo expedicionário de fuzileiros navais para o Oriente Médio. A flotilha com três navios de guerra carregando 4.000 marinheiros, 2.500 deles fuzileiros para ações em terra, deixou o porto de San Diego (Califórnia) na quinta-feira com destino ao golfo Pérsico.
O petróleo chegou a disparar novamente nesta sexta, e fechou cotado a US$ 108,20, completando duas semanas consecutivas com o barril Brent acima de US$ 100. Países ao redor do mundo estão sofrendo com a crise de abastecimento e tomando decisões para tentar minimizar os impactos da alta de preços.
“Este é o pior cenário possível, não só temos força maior no Iraque, mas também um número significativo de tropas sendo reunidas pelos EUA no Golfo Pérsico, as esperanças de uma resolução rápida e o retorno do fornecimento ao mercado global através do estreito de Hormuz estão desaparecendo diante de nossos olhos”, disse John Kilduff, sócio da Again Capital.