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Guerra no Irã faz setor aéreo enfrentar sua maior crise desde a pandemia – 21/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

O setor aéreo está enfrentando sua pior crise desde a pandemia com a guerra no Irã paralisando voos, reduzindo em mais de US$ 50 bilhões (R$ 265,62 bilhões) o valor de mercado das maiores companhias aéreas do mundo e se preocupando com a escassez de combustível.

Com o conflito completando 21 dias, executivos soaram o alarme sobre as repercussões para um setor exposto a um aumento prolongado nos preços do petróleo, interrupções nos aeroportos-hub do golfo Pérsico e um potencial impacto na demanda global.

Passageiros em rotas muito além do golfo Pérsico devem enfrentar um aumento acentuado nos preços das passagens nos próximos meses, à medida que as companhias aéreas tentam proteger seus lucros. O combustível de aviação, que representa um terço dos custos das companhias aéreas, dobrou desde que os EUA e Israel lançaram seus ataques ao Irã e continua subindo.

Embora muitas aéreas estejam protegidas contra oscilações nos preços do petróleo, executivos alertaram que a alta vertiginosa no custo do combustível de aviação neste mês as forçaria a aumentar as tarifas.

“O combustível disparou após a invasão da Ucrânia em 2022 também, mas desta vez foi ainda maior”, comentou Kenton Jarvis, CEO da easyJet, acrescentando que o conflito representa a maior turbulência para o setor desde que a pandemia levou à interrupção dos voos em 2020.

Em um sinal do alarme dos investidores, as 20 maiores companhias aéreas de capital aberto perderam cerca de US$ 53 bilhões em valor de mercado desde o início da guerra, segundo cálculos do FT.

Investidores também aumentaram suas apostas em novas quedas nos preços das ações, com a Wizz Air, companhia aérea europeia de baixo custo, agora sendo a empresa mais vendida a descoberto na Bolsa de Londres, e a easyJet também sendo alvo.

A crise atingiu o setor após uma recuperação sustentada na demanda desde a pandemia, com várias companhias aéreas desfrutando de uma sequência de lucros recordes. No entanto, executivos estão cautelosos quanto à capacidade da demanda de suportar preços de passagens muito mais altos.

Carsten Spohr, CEO da Lufthansa, disse temer que preços mais altos possam prejudicar a demanda no longo prazo, mas insistiu que a maior companhia aérea da Alemanha não tinha escolha senão aumentar as tarifas.

“Nosso lucro médio é de cerca de 10 euros por passageiro, não há como absorver o custo adicional”, afirmou o executivo.

Em uma indicação de como a interrupção está reverberando por todo o setor, as companhias aéreas estão elaborando planos de contingência para o caso de escassez de combustível de aviação.

Ben Smith, CEO da Air France-KLM, declarou que a companhia está implementando planos para lidar com uma redução no fornecimento, incluindo cortes de serviços para parte da Ásia.

Executivos disseram que o epicentro da crise permanece no Golfo, onde o trio estatal formado por Emirates, Etihad e Qatar foi forçado a reduzir drasticamente suas programações em meio a fechamentos de espaço aéreo e ao colapso do turismo na região.

“Para os caras no Oriente Médio, esta é uma grande crise”, avaliou Willie Walsh, chefe do grupo de lobby das companhias aéreas Iata e ex-chefe da BA, acrescentando que ela ainda é ofuscada pela crise que acertou o setor durante a pandemia.

“[A situação atual] é mais semelhante aos problemas transatlânticos pós-11 de setembro, quando a demanda por voos transatlânticos caiu significativamente”, comparou Walsh.

Dada a escala da interrupção, Andrew Charlton, chefe da consultoria Aviation Advocacy, afirmou que as aéreas do golfo Pérsico provavelmente precisarão de injeções de capital de seus proprietários estatais.

“Se você é uma companhia aérea sem apoio estatal, vai ter problemas”, comentou.

A interrupção se estendeu ao setor de cargas, à medida que o frete do transporte marítimo global fortemente afetado migra para aeronaves, deixando alguns aeroportos sobrecarregados.

Mercadorias enviadas ao aeroporto de Genebra, na Suíça, estão sendo transportadas por terra até Paris porque os aviões que decolam da base suíça estão lotados, segundo Giovanni Russo, que chefia as operações do aeroporto.

Enquanto o setor se recupera do conflito, a chefe da easyJet disse esperar que os preços das ações das companhias aéreas se recuperem rapidamente quando a guerra terminar. “Acho que eles [os vendedores a descoberto] vão fechar suas posições rapidamente se algum cessar-fogo for anunciado”, comentou.

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