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ETFs ampliam alcance na Bolsa; entenda como eles funcionam – 22/03/2026 – Economia

by Silas Câmara

Os ETFs foram o produto de renda variável que mais cresceu entre os brasileiros em 2025. Os fundos de índice negociados em Bolsa encerraram 2025 com 721,7 mil investidores —um avanço de 24% em relação ao ano anterior— e R$ 26,9 bilhões em patrimônio, alta de 49%.

Os números, levantados pela B3 na nova análise sobre investidores pessoa física, reforçam uma tendência que vem ganhando tração no mercado brasileiro associada à busca por maior diversificação de investimentos.

No cenário mais amplo da renda variável, a Bolsa fechou o ano com 5,5 milhões de CPFs registrados nesse tipo de aplicação, um crescimento de 4% em relação a 2024. O valor aplicado por esses investidores chegou a R$ 636,2 bilhões, alta de 20% na comparação com o ano anterior.

O ETF mais negociado em fevereiro deste ano foi o BOVA11, que replica o principal índice da Bolsa brasileira e respondeu sozinho por 53,7% de todo o volume entre os dez mais movimentados no período. Em média, o fundo movimentou cerca de R$ 1,16 bilhão por dia.

O SMAL11, que acompanha o índice de small caps, aparece em segundo lugar e concentrou 10,8% das negociações, enquanto o BOVV11, outro ETF ligado ao Ibovespa, respondeu por cerca de 5%. Juntos, os três fundos representam quase 70% do volume médio diário negociado nesse tipo de produto.

Embora possam parecer complexos, os ETFs foram criados para facilitar o acesso do investidor ao mercado. Esses fundos têm como principal característica reproduzir o desempenho de um índice de referência, como o Ibovespa, no Brasil, ou o S&P 500, nos Estados Unidos.

Na prática, isso significa que o retorno do ETF acompanha o do índice que ele segue. Se o Ibovespa sobe 10% em determinado período, por exemplo, o fundo que replica esse indicador deve registrar o mesmo desempenho. Essa lógica também vale para ETFs que acompanham títulos de renda fixa ou índices atrelados à inflação.

CONCENTRAÇÃO EM POUCOS FUNDOS

Para Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes e pessoa física da B3, a dominância do BOVA11 tem uma explicação estrutural. Segundo ele, o fundo é amplamente utilizado por investidores institucionais e estrangeiros em operações de arbitragem (compra e venda simultânea de um ativo em mercados diferentes), o que tende a inflar o volume negociado sem necessariamente refletir o comportamento do investidor individual.

Segundo Paiva, o avanço de 24% no número de CPFs no último ano é atribuído ao aumento expressivo da oferta, ao papel dos assessores de investimento na recomendação desses ativos e ao maior acesso à informação.

Apesar da predominância dos fundos ligados ao índice brasileiro, o ranking também mostra sinais de diversificação. ETFs que acompanham ativos internacionais, criptomoedas e commodities começam a ganhar espaço, caso do HASH11, ligado ao mercado de cripto, e do GOLD11, que acompanha o preço do ouro.

Atualmente, cerca de 180 ETFs são negociados na Bolsa. Somente em 2025, 62 novos ETFs foram listados.

COMO É A TRIBUTAÇÃO

Todo o lucro com a venda de cotas de ETF de renda variável é tributado, segundo a B3. Não há isenção do IR para vendas abaixo de R$ 20 mil, como ocorre com ações. A alíquota é de 15% sobre o lucro apurado e de 20% para operações de day trade. O cálculo e o pagamento do imposto devem ser feitos pelo operador do papel. O prazo para quitar o Darf (guia de pagamento do IR) é o último dia do mês seguinte ao da operação que teve lucro.

MERCADO ACIONÁRIO E FIIs

No último ano, o Ibovespa registrou 32 recordes e ultrapassou pela primeira vez a marca de 160 mil pontos. Em 2025, 4 milhões de pessoas investiram em ações no mercado à vista, com valor custodiado de R$ 402,7 bilhões.

Outra indústria que se desenvolveu na renda variável foi a de fundos listados. O número de investidores em FIIs (fundos de investimento imobiliário) bateu 3 milhões em 2025, crescimento de 6,4% em relação ao ano anterior.

RENDA FIXA E TESOURO DIRETO

De acordo com a B3, a classe de ativos de renda fixa registrou 105,1 milhões de brasileiros, um crescimento de 15% em relação aos 90,9 milhões de 2024. O montante total investido também aumentou, passando de R$ 2,4 trilhões para R$ 3,03 trilhões.

Entre os produtos, CDBs e RDBs tiveram avanço de 16% em CPFs registrados, chegando a 104,1 milhões. O valor em custódia foi de R$ 1,5 trilhão, 29% a mais do que no ano anterior. Produtos de captação bancária (LCIs, LCAs e LCs) atingiram 4 milhões de CPFs e alcançaram valor custodiado de R$ 1 trilhão.

O Tesouro Direto fechou 2025 com 3,4 milhões de investidores, alta de 13% em relação a 2024 e de 88% na comparação com 2021. O crescimento foi expressivo fora do eixo Rio-São Paulo: nas regiões Norte e Nordeste, a base de investidores mais que dobrou nos últimos quatro anos, com avanço de 125% em ambas.

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