O CEO da BlackRock, Larry Fink, alertou que a IA (inteligência artificial) corre o risco de ampliar a desigualdade, concentrando riqueza em um punhado de empresas e investidores que financiaram o crescimento do setor.
Fink usou sua carta anual aos acionistas da BlackRock nesta segunda-feira (23) para advertir que a IA pode intensificar as disparidades de riqueza se os indivíduos não tiverem meios de participar de sua ascensão, escrevendo que uma parcela crescente do país sentia que o capitalismo não estava funcionando.
“A enorme riqueza criada nas últimas gerações foi principalmente para pessoas que já possuíam ativos financeiros”, escreveu. “A IA ameaça repetir esse comportamento em escala ainda maior”.
Ele acrescentou: “A questão mais ampla é quem participa dos ganhos. Quando a capitalização de mercado aumenta, mas a propriedade permanece restrita, a prosperidade pode parecer cada vez mais distante para aqueles que estão de fora”.
Os avanços em IA abalaram os mercados financeiros este ano e desencadearam uma corrida entre grandes empresas de tecnologia como Meta, Microsoft, Alphabet e Amazon, que buscam construir seus próprios modelos capazes de competir com OpenAI e Anthropic.
Tanto a OpenAI quanto a Anthropic estão planejando ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) enquanto buscam novas fontes de financiamento após dependerem de rodadas de investimento privado de investidores institucionais sofisticados.
“As empresas com dados, infraestrutura e capital para implementar IA em escala estão posicionadas para se beneficiar”, disse Fink. “Isso não é incomum, e nada disso é inerentemente problemático. A liderança de mercado sempre mudou com as transformações tecnológicas.”
Grupos de investimento incluindo Pimco, Apollo Global, Blackstone e Blue Owl estão financiando construções de data centers. A BlackRock, que administra US$ 14 trilhões, também avançou no setor.
Ela firmou parceria com a Microsoft, a fabricante de chips Nvidia e o fundo de Abu Dhabi MGX em projetos para investir na indústria de IA no valor de US$ 30 bilhões. No ano passado, o fundo e a GIP, braço de infraestrutura da BlackRock, fecharam uma aquisição de US$ 40 bilhões de uma das maiores operadoras de data centers do mundo, a Aligned Data Centers, com sede no Texas.
Fink, que dirige a maior gestora de ativos do mundo, disse que era imperativo que os indivíduos tivessem formas “mais amplas e acessíveis” de participar do crescimento futuro da IA.
“A IA criará valor econômico significativo. Garantir que a participação nesse crescimento se expanda junto com ele é tanto o desafio quanto a oportunidade”, escreveu.
Fink também usou sua carta para pedir reformas no sistema de previdência social dos EUA, que pode ter dificuldades para fazer pagamentos integrais aos aposentados já em 2033. Ele sugeriu mudanças no fundo fiduciário do sistema, incluindo a transferência de recursos dos títulos do Tesouro americano para os mercados financeiros, o que ele acredita que poderia ajudar a fechar o déficit de financiamento.
“A Previdência Social é uma promessa fundamental, e as pessoas acreditam com razão que ela deve ser honrada”, escreveu. “Mas, no sistema atual, não fazer nada pode muito bem quebrar essa promessa.”