O banco que acomoda bem as pernas do motorista e o volante pequeno, de estilo esportivo, causam boa impressão no primeiro contato com o GAC GS3, um modelo de porte médio que vai disputar mercado entre os compactos. Sim, é mais um SUV chinês a desembarcar no Brasil, mas há diferenças em relação aos outros.
A começar pela falta de um sistema híbrido: o carro é movido pelo motor 1.5 turbo a gasolina, com 170 cv de potência. Todos os outros modelos da marca disponíveis no Brasil trazem algum tipo de eletrificação. A escolha permite praticar um preço mais em conta, a partir de R$ 139.990 na versão Premium.
O pacote de itens de série traz câmbio automático de dupla embreagem com sete marchas, ar-condicionado com ajuste digital, rodas de 18 polegadas, seis airbags e central multimídia.
A opção Elite custa R$ 159.990 e acrescenta sistemas de segurança como sensores que leem as faixas no asfalto e mantêm o carro em sua pista, frenagem autônoma de emergência e detectores do tráfego ao redor. Há ainda teto solar panorâmico.
Com pacote semelhante de equipamentos, o VW T-Cross Highline 1.4 TSI (150 cv) custa R$ 196.290, enquanto o Hyundai Creta 1.6 TGDI Platinum (176 cv) é anunciado por R$ 201.590.
O que a GAC faz é oferecer a força dos modelos mais equipados da concorrência pelo preço de suas opções menos potentes.
Em movimento, o GS3 retoma velocidade com vigor, ajudado pelas trocas rápidas do câmbio. A força é útil para realizar ultrapassagens com segurança.
Falta, contudo, a possibilidade de ser abastecido com etanol. Até o Caoa Chery Tiggo 5X, (150 cv) que também tem origem chinesa, é oferecido com motorização flex. Renovado na linha 2027, seu preço parte de R$ 124.990.
Outro ponto fraco do GAC GS3 é o tamanho do porta-malas. São 340 litros de capacidade, pouco para um carro que tem 4,41 metros. É praticamente o mesmo comprimento do Jeep Compass (4,40 metros), que custa a partir de R$ 174.990 e pode comportar 410 litros de bagagens.
A compensação está no bom espaço disponível para os ocupantes do banco traseiro. O segredo está na distância de 2,65 metros entre os eixos. É a mesma medida disponível no Volkswagen T-Cross, que segue como uma das referências nesse quesito.
Por enquanto, o GS3 chega ao Brasil importado da China, mas é provável que o SUV se torne nacional em 2027, quando a GAC iniciará a montagem no Brasil. A linha de produção ficará no complexo do grupo HPE, em Catalão (GO), que desde 1998 produz modelos da japonesa Mitsubishi.
Até 2030, a montadora chinesa investirá US$ 1,3 bilhão no Brasil. O valor inclui a solução de um dos problemas atuais do carro: consumir apenas gasolina e não dispor de eletrificação.
O desenvolvimento de sua motorização híbrida com tecnologia flex está sendo feito em parceria com a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), a UFSM (Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).