O novo leilão do aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, recebeu propostas de três grupos. Apresentaram envelopes nesta terça-feira (24) a espanhola Aena, a suíça Zurich Airport e o consórcio formado pela Changi, de Singapura, e pela Vinci Compass —que já têm participação na concessão atual.
O certame está marcado para 30 de março, na B3, em São Paulo. O critério de disputa será o maior valor de outorga, com lance mínimo de R$ 932 milhões. O vencedor também terá de pagar à União 20% do faturamento anual da concessão até 2039.
O edital prevê a saída da Infraero do negócio, o que foi um dos pontos considerados mais atrativos para o mercado. Hoje, a estatal detém 49% da concessão do Galeão, enquanto os outros 51% estão com a Changi e a Vinci, que comprou parte da fatia da empresa asiática em agosto de 2025. No novo modelo, 100% da operação ficará nas mãos do parceiro privado.
A Changi e a Vinci, por serem acionistas da atual concessão, tinham a obrigação de apresentar ao menos uma proposta no valor mínimo para participar da disputa. Isso porque o modelo adotado pelo governo foi o de venda assistida, saída encontrada para reequilibrar o contrato em vigor.
O leilão é resultado de uma solução homologada pelo TCU (Tribunal de Contas da União), no âmbito da Secex Consenso (Secretaria de Controle Externo de Solução Consensual e Prevenção de Conflitos). O acordo buscou reequilibrar economicamente a concessão, incorporar cláusulas mais recentes e viabilizar a retomada dos investimentos.
Principal concessão aeroportuária do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o novo Galeão é visto pelo governo como uma aposta para consolidar a recuperação do terminal e dar novo fôlego ao contrato, depois de anos de esvaziamento e desequilíbrio financeiro.
Entre os grupos que disputam o ativo, a Zurich Airport opera terminais como os de Florianópolis e Vitória. Já a Aena é concessionária dos aeroportos de Congonhas, em São Paulo, Campo Grande, Maceió e Aracaju.
Inicialmente concedido à iniciativa privada em 2013, o Galeão atravessou anos de esvaziamento, processo intensificado durante a pandemia.
Nos últimos anos, o aeroporto voltou a registrar alta de movimentação, impulsionado pelas restrições a voos no Santos Dumont, no centro da capital fluminense. Em 2025, o Galeão movimentou 17,5 milhões de passageiros, recorde da série histórica iniciada em 2000. O volume representou alta de 23,5% em relação a 2024, quando o terminal recebeu 14,2 milhões de viajantes.
No ano passado, o Galeão teve o terceiro maior fluxo do país, atrás apenas de Guarulhos, com 46,3 milhões de passageiros, e Congonhas, com 24 milhões. Ainda assim, o movimento segue distante da capacidade do terminal, estimada em 37 milhões de passageiros por ano.
As primeiras restrições no Santos Dumont entraram em vigor em outubro de 2023, após pressão de empresários e políticos locais. A medida buscou conter a concentração de voos no terminal central e redirecionar parte da demanda para o Galeão.