O Brasil precisará de energia equivalente a quase três Itaipus para evitar instabilidades e blecautes provocados pela ausência de infraestrutura para suportar aumento de fontes de geração elétrica, segundo levantamento da EPE (Empresa de Pesquisa Energética).
O dado é destacado em estudo da ANE (Academia Nacional de Engenharia) e da CIGRE-Brasil (Comitê Nacional Brasileiro de Produção e Transmissão de Energia Elétrica) enviado neste mês para a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
Conforme noticiado pela Folha, o governo contratou em 18 de março 19 GW (gigawatts) de energia térmica e hidráulica para abastecer o sistema elétrico do país em momentos de falta, o que equivale a pouco mais de uma Itaipu (14 GW em potência instalada).
Os autores apontam que será necessário contratar 35 GW adicionais em fontes despacháveis —hidrelétricas, termelétricas e nucleares— até 2035 para dar maior segurança ao fornecimento nacional de eletricidade frente ao acréscimo de geração intermitente, isto é, o aumento de usinas eólicas e solares.
Caso o país não atinja esse patamar, segundo a pesquisa, haverá aumento no risco de blecautes nas horas de maior demanda. Além da contratação de mais recursos, seria necessário integrar melhor as usinas de geração intermitente —em sua maioria, eólicas e solares— ao SIN (Sistema Interligado Nacional). O processo envolveria investimento na capacidade de armazenamento, distribuição e transmissão em nível nacional.
Hoje, segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o SIN atingiu no segundo semestre de 2025 a capacidade instalada de 246.762 MW para o atendimento de uma demanda de até 104.732 MW, o que vem causando sobrecarga da rede atual.
A capacidade instalada é composta por 43,9% de hidroelétricas e 18,1% de MMGD (Micro e Minigeração Distribuída), categoria que engloba pequenas produções independentes com foco no suprimento individual —residências, empresas, condomínios, entre outros.
‘Curtailment’
Interrupções na oferta de energia, chamadas de ‘curtailment’, têm sido aplicadas de forma crescente nos últimos anos pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) para evitar sobretudo que a produção exceda o tamanho da demanda. A medida é necessária porque o descompasso pode causar apagões.
O desequilíbrio durante o dia tem aproximado o país de um colapso, mostram dados compilados pela Volt Robotics. De acordo com os técnicos da consultoria, em pelo menos 16 dias de 2025 a malha elétrica operou próximo ao limite de segurança devido ao excesso de oferta –um risco bem acima do observado um ano antes, quando houve apenas um dia crítico.
Os dados mostram que os momentos mais perigosos para o sistema têm sido os fins de semana, quando o fechamento da indústria e do comércio diminui o consumo e o fonecimento solar segue em plena produção. Nas segundas-feiras, o corte por excesso de energia equivale a 1.040 MW médios; aos domingos, salta para 5.135 MW médios.
Armazenamento
A ampliação do armazenamento é uma das soluções mais comentadas pelo setor para a sobrecarga da rede e o desperdício da energia gerada. O uso de baterias para guardar a eletricidade gerada ao longo do dia é aventado. Atualmente, o Ministério de Minas e Energia está planejando um leilão de baterias no país.
O estudo defende uma necessidade de investimento em reservatórios de regularização em hidrelétricas, que poderiam suprir a demanda em casos de picos ou vales no fornecimento.
A lógica do armazenamento também pode ser aplicada às hidrelétricas, usando a eletricidade abundante no período diurno para bombear água de volta aos reservatórios. Isso ampliaria a possibilidade de tornar as usinas grandes baterias do sistema.
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