Um cervo foi encontrado ferido na manhã desta quarta-feira (15), em uma rua no bairro Menino Deus, na região central de Porto Alegre.
O animal da espécie exótica Axis axis foi atacado por cães durante a madrugada, segundo registros de imagens de câmeras de segurança de um prédio, e chegou a ser amarrado antes do resgate. Ele foi levado para atendimento veterinário, mas foi submetido à eutanásia poucas horas depois devido à gravidade dos ferimentos.
O animal foi encontrado caído no chão e com sangramentos em torno das 8h pelo Batalhão de Polícia Ambiental da Brigada Militar, que atendeu ao chamado de moradores.
No local, o cervo estava amarrado por um morador a uma árvore pelo pescoço para que não deixasse o local, que fica próximo a avenidas movimentadas e a um hospital.
Ele foi encaminhado ao Núcleo de Conservação e Reabilitação de Animais Silvestres da UFRGS, onde os veterinários constataram que era uma fêmea de 42 kg com uma ferida extensa no queixo e marcas de mordida nos membros e no abdômen. Foram realizados exames de sangue, urina e um raio-X de corpo inteiro no animal, que estava debilitado e reagia pouco.
“A gente mexia e ela quase não respondia, é uma coisa bem atípica”, diz o professor Marcelo Meller Alievi, coordenador do núcleo. “Normalmente os cervídeos são extremamente estressados, então eles reagem de uma maneira mais forte, mas ela chegou em uma situação clinicamente ruim.”
No fim da manhã, o cervo teve uma piora clínica e apresentou urina escura, indicador de miopatia, um tipo de lesão muscular causada por estresse extremo, característica de cervídeos. Com a gravidade do quadro, optou-se pela eutanásia.
O Axis axis é um cervo originário do subcontinente indiano e foi introduzido na América do Sul pelo Uruguai no começo do século 20 para uso como alvo em fazendas de caça, explica Soraya Ribeiro, chefe da Equipe de Fauna da Smamus (Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre).
A suspeita é de que o cervo tenha chegado a Porto Alegre nadando pelo lago Guaíba. A espécie já foi avistada ao menos quatro vezes na capital gaúcha, todas em áreas próximas à orla — incluindo um clube de remo e as proximidades do estádio Beira-Rio, também localizado no bairro Menino Deus.
“Ele é um animal de ambiente mais úmido, portanto ele possui capacidade de nado”, diz Soraya. “O lago Guaíba possui um cordão de ilhas, com vários braços, onde o animal pode vir utilizando isso como corredor.”
Uma portaria de 2022 publicada pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente regulamentou o manejo e regras de caça do cervo para controle populacional no Rio Grande do Sul.
Na justificativa, a secretaria alega que a presença do animal no estado pode “resultar em perdas econômicas na pecuária, à saúde pública e aos ecossistemas naturais, principalmente às populações de cervídeos nativos que ocorrem em Unidades de Conservação.”